Chamada para publicação v.1, n.24 - 2020 - Escrevivências de Mulheres Negras em Diáspora

Chamada para publicação v.1, n.24 - 2020  

Escrevivências de Mulheres Negras em Diáspora

 

Cada vez mais, os estudos literários (e o próprio fazer literário) tem se proposto a refletir sobre questões ligadas ao acesso à voz e à representação dos múltiplos grupos sociais. Nesse contexto, a literatura negra feminina rasura a pretensão de universalidade que se constrói “ao custo de sacrificar o particular”, como ressalta Gloria Anzaldúa (2000, p. 233), em detrimento dos grupos historicamente discriminados. Diante disso, neste dossiê, buscamos reunir reflexões críticas baseadas em textos literários de mulheres negras que apresentam histórias plurais, que foram silenciadas e invisibilizadas por diversos séculos. Integram-se aqui tanto temas ligados à literatura escrita por mulheres na diáspora quanto discussões relativas à literatura afro-latino-americana de língua portuguesa e espanhola produzida por mulheres que, através de suas produções poéticas, vêm, estrategicamente, lutando e se insurgindo diante do epistemicídio e dos silenciamentos impostos desde o processo de “roedura” do continente africano até os dias atuais. Na perspectiva de Florentina Souza (2019), as lutas dessas mulheres não se restringiram à sobrevivência cotidiana. Elas descobriam pequenos espaços de liberdade que lhes possibilitavam um viver menos doloroso, e a escrita literária foi um deles. Seus textos, segundo Miriam Alves (2010, p.183), “passam a violar este silenciamento”, colocando em pauta discursos e representações que não pairavam na cena literária. Assim, no cenário literário da contemporaneidade brasileira/latino-americana, a autora aponta no plano ficcional “uma voz ativa por meio da qual sobressai, quase sempre, o sentimento de inconformidade com os espaços reais e literários relegados às mulheres negras”. A escritora ainda destaca que “essas mulheres escrevem, inscrevem, reescrevem, enunciando, denunciando e, a partir da palavra, tentam romper, desbloquear, deslocar ou deslocar-se". Suas produções podem ser lidas na perspectiva do que Conceição Evaristo (2009) denomina de “escrevivências”. De acordo com essa intelectual negra, a escrita dessas mulheres não se desvencilha do próprio corpo que, por sua vez, vivencia situações nunca experimentadas por “um corpo não negro, não mulher” (2009, p. 18). Desse modo, entendemos como relevante ao diálogo da chamada da REVELL v.1, n.24 – 2020, a terminologia “escrevivências”, e é neste sentido que propomos o foco inicial deste número. Atentamos aqui para as diversas manifestações da ficção, da poesia, dos relatos de viagem, das literaturas de testemunho, das autobiografias etc., bem como para reflexões que coloquem em “xeque” as diversas (des)construções do colonialismo arraigadas em nossa sociedade, e que nos ajudem a compreender nosso papel como críticos literários, pesquisadores e docentes.

 Assim, convidamos pesquisadores a submeter propostas, escritas tanto em português quanto em espanhol, que abordem os eixos abaixo:

  • Feminismos plurais;
  • Expressões artísticas afro-brasileiras e afro-hispano-americanas de autoria feminina;
  • Feminismo negro e interseccionalidade na diáspora negra;
  • Mulher negra, afeto e solidão;
  • Erotismo na produção literária feminina negra;
  • Pensamentos e intelectuais negras na diáspora;
  • Literatura feminina negra surda na América Latina;
  • Mulheres, Culturas dos povos originários, Quilombolas e terreiros;
  • Educação, Quilombolas e suas resistências;
  • Interseccionalidade de gênero e raça no mercado de trabalho;
  • Mulheres negras, Movimentos negros na América Latina e Revistas literárias afro-latino-americanas;
  • Textos Literários LGBTQIA+;

 

As contribuições devem ser submetidas na página da REVELL:  http://periodicosonline.uems.br/index.php/REV/index

 

Data limite para submissão no sistema: 15/04/2020

 

Organizadoras:

Professora Doutora Alessandra Corrêa de Souza - Universidade Federal de Sergipe - UFS - Brasil

Professora Mestra Cristiane  Santos de Souza Paixão  - Universidade do Estado da Bahia - Brasil

Professora Mestra Josenildes da Conceição Freitas  - Universidade Federal da Bahia - Brasil

 

 

 

 

 

 

 

Convocatoria para publicación v.1, n.24 - 2020  

Escrevivências de mujeres negras en la diáspora

 

Cada vez más, los estudios literarios (y la práctica literaria misma) han propuesto reflexionar sobre temas relacionados con el acceso a la voz y la representación de múltiples grupos sociales. En este contexto, la literatura femenina negra borra el reclamo de universalidad que se construye "a costa de sacrificar lo particular", como enfatizó Gloria Anzaldúa (2000, p. 233), en detrimento de los grupos históricamente discriminados. Por lo tanto, en este dossier, buscamos recopilar reflexiones críticas basadas en textos literarios de mujeres negras que presentan historias plurales, que han sido silenciadas e invisibles durante varios siglos. Aquí, se integran ambos temas relacionados con la literatura escrita por mujeres en la diáspora, así como las discusiones relacionadas con la literatura afrolatinoamericana en portugués y español producidas por mujeres que, a través de sus producciones poéticas, han estado luchando estratégicamente y levantándose contra la epistemicidas y silencios impuestos desde el proceso de "roer" en el continente africano hasta nuestros días. En la perspectiva de Florentina Souza (2019), las luchas de estas mujeres no se limitaron a la supervivencia cotidiana. Descubrieron pequeños espacios de libertad que les permitieron vivir con menos dolor, y la escritura literaria fue uno de ellos. Sus textos, según Miriam Alves (2010, p.183), "comienzan a violar este silenciamiento", colocando en la agenda discursos y representaciones que no se cernían en la escena literaria. Así, en la escena literaria de la contemporaneidad brasileña / latinoamericana, el autor señala en el plano ficticio "una voz activa a través de la cual, casi siempre, el sentimiento de no conformidad con los espacios reales y literarios relegados a las mujeres negras". La escritora también destaca que "estas mujeres escriben, inscriben, reescriben, enuncian, denuncian y, desde la palabra, intentan romper, desbloquear, desplazarse o desplazarse a sí mismas". Sus producciones se pueden leer en la perspectiva de lo que Conceição Evaristo (2009) él lo llama "escribas". Según este intelectual negro, la escritura de estas mujeres no se separa del cuerpo mismo, que, a su vez, experimenta situaciones nunca experimentadas por "un cuerpo no negro, no una mujer" (2009, p. 18) De esta manera, entendemos que la terminología "escrivências" es relevante para el diálogo de la convocatoria REVELL v.1, n.24 - 2020, y es en este sentido que proponemos el enfoque inicial de este tema. Prestamos atención aquí a las diversas manifestaciones de ficción, poesía, historias de viajes, testimonios, autobiografías, etc., así como reflexiones que ponen en jaque las diversas (des) construcciones del colonialismo arraigadas en nuestra sociedad, y que nos ayudan Comprender nuestro papel como críticos literarios, investigadores y docentes.

 

Por lo tanto, invitamos a los investigadores a presentar propuestas, escritas en portugués y español, que aborden los siguientes ejes:

• feminismos plurales;

• Expresiones artísticas afrobrasileñas y afrohispanas de autoría femenina;

• Feminismo negro e interseccionalidad en la diáspora negra;

• Mujer negra, cariño y soledad;

• Erotismo en la producción literaria femenina negra;

• Pensamientos negros e intelectuales en la diáspora;

• Literatura femenina negra sorda en América Latina;

• Mujeres, culturas de los pueblos originarios, quilombolas y terreiros;

• Educación, quilombolas y su resistencia;

• Interseccionalidad de género y raza en el mercado laboral;

• Mujeres negras, movimientos negros en América Latina y revistas literarias afrolatinoamericanas;

• Textos literarios LGBTQIA +;

 

Las contribuciones deben presentarse en la página REVELL: http://periodicosonline.uems.br/index.php/REV/index

 

Fecha límite para la presentación en el sistema: 15/04/2020.

 

Organizadores:

Profesora Doctora Alessandra Corrêa de Souza - Universidade Federal de Sergipe - UFS - Brasil

Profesora Maestra Cristiane  Santos de Souza Paixão  - Universidade do Estado da Bahia - Brasil

Profesora Maestra Josenildes da Conceição Freitas  - Universidade Federal da Bahia - Brasil