A sogra e Dom Casmurro: autovitimização masculina, silenciamento e culpabilização da mulher

Autores

Palavras-chave:

Dom Casmurro, a sogra, autovitimização, culpabilização, silenciamento.

Resumo

O presente artigo realiza uma análise comparativa, com base na teoria da intertextualidade de Kristeva (1974), entre alguns personagens das obras A Sogra, do dramaturgo romano Públio Terêncio Afro (185-159 a.C.) e Dom Casmurro, do brasileiro Machado de Assis (1839-1908). Compararemos as personalidades de Pânfilo e Bentinho, respectivamente, e abordaremos as temáticas de autovitimização masculina, de culpabilização da mulher e de silenciamento impostos às personagens femininas das obras. Isso porque, em ambas, as personagens Filúmena, Sóstrata (A Sogra) e Capitu (Dom Camurro) são acusadas de um delito, mas não podem se defender, nem possuem o direito de fala, já que seus acusadores, isto é, seus cônjuges, é que falam por elas. Nesta abordagem, elencaremos as falas e ações das personagens das duas obras a fim de evidenciar seus contrastes e convergências, basearemos também nossa análise nas concepções de casamento romano e o papel da mulher nessa instituição, à luz da teoria da intertextualidade bakhtiniana.

Biografia do Autor

Giovanna da Silva Sampaio, Universidade do Estado do Amazonas

Graduanda em Letras na Universidade Estadual do Amazonas – Brasil. Bolsista PAIC/FAPEAM. ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-3748-9028. E-mail: giovannasilvasamp@gmail.com.

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Publicado

24/12/2021

Como Citar

Sampaio, G. da S. (2021). A sogra e Dom Casmurro: autovitimização masculina, silenciamento e culpabilização da mulher . VALITTERA - REVISTA LITERÁRIA DOS ACADÊMICOS DE LETRAS, 1(4), 137–157. Recuperado de https://periodicosonline.uems.br/index.php/valit/article/view/6228