CONHECIMENTOS TRADICIONAIS DOS POVOS INDÍGENAS DA REGIÃO PANTANEIRA SUL-MATO-GROSSENSE SOBRE A PREVENÇÃO DAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

Léia Teixeira Lacerda, Kátia Cristina Nascimento Figueira, Maria Leda Pinto

Resumo


Os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena (1998) possibilitam aos gestores das escolas que funcionam em áreas indígenas organizarem os eixos fundamentais do currículo, incentivando o desenvolvimento de projetos educacionais de autogestão e comunitários. Entretanto, esse incentivo governamental deixa de assumir as suas atribuições básicas, ou seja, deixa de investir em uma política para a educação escolar indígena que atenda às reais necessidades das etnias brasileiras. Isso significa que além de esses gestores estruturarem os projetos diferenciados e interculturais, é preciso desenvolver uma política de educação continuada que considere os conhecimentos indígenas e não indígenas, isto é, um currículo estruturado do universal para o singular, com a implementação de um projeto pedagógico sistemático e não com programas isolados. Assim, esta comunicação visa apresentar os resultados do referido Programa realizado em conjunto com os Acadêmicos Indígenas da UEMS e da UFMS – dos povos Guató, Kadiwéu, Kinikinau e Terena – do Pantanal Sul-Mato-Grossense, possibilitando reflexões sobre essas ações. Esta proposta incidiu sobre a realização de oficinas, coleta de depoimentos dos acadêmicos e dessas comunidades, produzindo o registro do funcionamento das instituições escolares e dos processos próprios de aprendizagem no que diz respeito à compreensão dessa temática. A pesquisa organizou um banco de dados primários, contendo a descrição das concepções sobre a origem das doenças, bem como a compreensão desses indígenas sobre os saberes científicos em uma inter-relação com os conhecimentos que esses povos construíram sobre essas infecções, evidenciando a complexidade que envolve a abordagem do tema e, sobretudo, os contatos interétnicos vividos por seus pares.


Palavras-chave


Currículo. Saberes Tradicionais. Educação Indígena. IST. Prevenção.

Texto completo:

PDF

Referências


BIRMAN, Joel. Sexualidade: entre o mal e maledicências. In: LOYOLA, M. A. et al (Org.). Aids e Sexualidade: o ponto de vista das ciências humanas. Rio de Janeiro: Relume-Dumará: UERJ, 1994.

MACIEL, L. T. L ett all. Educação de Jovens e Adultos e Prevenção das DST/AIDS em Escolas Indígenas do Pantanal de Mato Grosso do Sul, Brasil. São Paulo: Fundação Péter Muranyi, Prêmio Péter Murányi, 2009 – Educação. Disponível em: http://www.fundacaopetermuranyi.org.br/main.asp?pag=2009 Acesso: 06 fev 2016.

MAHER, Terezinha Machado. Ser professor sendo Índio: questões de lingua(gem) e identidade. Campinas: Unicamp. Tese, (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Linguística, Universidade de Campinas, 261 fl,1996.

PINTO, M. L. Discurso e Cotidiano: Histórias de Vida em Depoimentos de Pantaneiros. São Paulo: USP, Tese, (Doutorado) Programa de Pós-Graduação em Língua Portuguesa. Universidade de São Paulo, 246 fl, 2007.

QUEIROZ, Maria Isaura P. de. Relatos orais: do “indizível” ao “dizível!. In: VON SIMSON, O. de M (Org.). Experimentos com Histórias de Vida – Itália-Brasil. São Paulo: Vértice, Editora Revista dos Tribunais, 1988.(Enciclopédia aberta de Ciências Sociais; v.5).

SOUZA, Maria Cecília Cortez Christiano de. A Escola e a Memória. Bragança Paulista, SP: Editora Universitária São Francisco, 2004. 196p.

UNAIDS. Situación de la epidemia de Sida: informe especial sobre la prevención del VIH/SIDA: Programa /conjunto de Las Naciones Unidas sobre /El VIH/SIDA, vérsion española, diciembre de 2007. Vérsion original inglesa.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 GEOFRONTER

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Sem derivações 4.0 Internacional.