OS ESPAÇOS RESIDENCIAIS FECHADOS E O MEDO: UMA ANÁLISE DA CIDADE DE MONTES CLAROS (MG)

Ramony Pereira Batista, Carlos de Alexandre Bortolo, Eric Jader Azevedo Costa

Resumo


O presente trabalho discute a cidade de Montes Claros (MG) a partir do dinamismo dos espaços urbanos, por meio das formas de morar e da produção social destes espaços. Pontua-se que, num contexto capitalista, tanto a cidade como a moradia tornam-se mercadorias, sendo parceladas e comercializadas. Deste modo, apesar de serem produzidas socialmente, são apropriadas de forma individual, conforme o poder aquisitivo, propiciando a formação de áreas residenciais diferenciadas e segregadas social e espacialmente. Os Espaços Residenciais Fechados (ERF) são, neste cenário, a materialização da segregação e a forma ideal de moradia. O aumento no número de empreendimentos é também relacionado à disseminação da ideia de insegurança urbana e do medo. Assim, a paisagem urbana é marcada pela presença de muros, indicativos de segurança e de separação socioespacial, favorecendo o convívio entre os iguais. Diante do cenário apresentado, buscou-se compreender a formação dos ERF’s, na cidade citada, como produto da cidade-mercadoria e da propaganda da insegurança urbana e do medo; para tal análise ancorou-se na revisão bibliográfica e na coleta de dados - que possibilitaram o mapeamento apresentado. 

Palavras-chave


Cidade; Espaços Residenciais Fechados; Medo; Montes Claros.

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