TERRITORIALIDADES DE INSURGÊNCIA, TESSITURAS DE DESENVOLVIMENTO(S): PARTICIPAÇÃO SOCIAL E COALIZÃO NAS JORNADAS DE JUNHO DE 2013 NO BRASIL

Gustavo Souza Santos, Anete Marília Pereira

Resumo


As Jornadas de Junho de 2013 no Brasil se configuraram como um evento-fenômeno de insurgência que concentrou atos em todo o território nacional articulando pautas diversificadas. Tendo por embrião os protestos em torno da mobilidade e o aumento tarifário do transporte público urbano, o escopo das manifestações foi ampliado, se etiquetando à demandas estruturais e de natureza social, política e econômica familiares à realidade brasileira. Nesse ínterim, arregimentados pelas redes sociais e marcados por uma indumentária espontânea, solidária e em rede, os atos ganharam coesão multiescalar pressionando Estado, mídia e opinião pública. Contudo, os gritos insurgentes não prenunciaram apenas a anatomia constitutiva de movimentos sociais, mas denotaram novos formatos de participação social, com refletância on/off-line, produzindo coalizão e tessituras de desenvolvimento reclamado e reticulado territorialmente. Face a esses cenários, desenvolveu-se aqui uma reflexão sobre os atos de 2013 como pulsões populares produtoras de tessituras de desenvolvimento(s), em uma lógica onde a linguagem insurgente se torna expressão de coalizão e participação social. A análise de publicações de usuários do Twitter, selecionadas sob hashtags de engajamento, foi feita e auxilia na compreensão do processo.


Palavras-chave


Jornadas de Junho; Desenvolvimento social; Mobilização social.

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