PATRIMÔNIO NATURAL E SUAS RELAÇÕES COM ESPAÇOS E TERRITÓRIOS SUBALTERNOS NA AMAZÔNIA

Autores

Palavras-chave:

Patrimônio Natural, Patrimônio Subalterno, Prática Socioespacial, Unesco.

Resumo

Trata-se de uma discussão sobre a necessidade de relativização da ideia de patrimônio natural advinda da Organização das Nações Unidas para o Progresso da Ciência, Cultura e Educação (Unesco) que o concebe como um objeto dissonante da percepção, produção e práticas socioespaciais humanas, como se estivesse isolado no espaço e tendo sua existência vinculada a valores universais. O objetivo do artigo é demonstrar que o patrimônio natural pode ser pensado a partir da perspectiva socioespacial inscrita em relações de poder, estando relacionada a contradições territoriais. O artigo tem fundamento na dialética da construção destrutiva como um movimento espacial contraditório operado pelo conhecimento científico-tecnicista que apregoa e impõe a ideologia da sociedade de consumo, porém é questionado pela dialética que envolve o cotidiano em espacialidades invisibilizadas e subalternas. O trabalho tem um caráter bibliográfico e documental e os resultados demonstram que, no contexto da Amazônia, a espetacularização, ideologização e ratificação do patrimônio são dissipadas por patrimônios reproduzidos em espaços periféricos inscritos no uso, controle e subjetivação da natureza e indicam a existência de outras perspectivas patrimoniais. Assim, o caráter subalterno do patrimônio natural efetiva-se no cotidiano e representa um processo totalizante, não abstrato, tampouco modelístico em que a natureza é tida como patrimônio natural a partir do desenvolvimento de práticas socioespaciais subversivas e anticoloniais.

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Publicado

10/09/2021

Como Citar

Diniz, F. P. S. (2021). PATRIMÔNIO NATURAL E SUAS RELAÇÕES COM ESPAÇOS E TERRITÓRIOS SUBALTERNOS NA AMAZÔNIA. GEOFRONTER, 7(1). Recuperado de https://periodicosonline.uems.br/index.php/GEOF/article/view/6209

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Artigos