Entre céus e entrecéus desta viagem: a construção temporal em Meu Tio Roseno, A Cavalo, de Wilson Bueno

Autores

  • Aline Camara Zampieri Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Palavras-chave:

Tradição literária, Narrador, Construção temporal.

Resumo

A produção literária Meu tio Roseno, a cavalo, do escritor paranaense Wilson Bueno, narra a história de Roseno, tio do narrador, o qual parte de Guairá e vai até Ribeirão do Pinhal para assistir ao nascimento de sua filha Andradazil. O herói viaja sete céus (dias) e seis entrecéus (noites) no lombo de seu cavalo Brioso, que muitas vezes aparece dotado de asas. O protagonista Roseno tem seu nome alterado conforme os lugares por onde passa e pelas sensações que sofre, sendo Rosemundo, Rosevéu, Rosevino, entre tantos outros. Perpassam pela narrativa, também, duas guerras: uma passada na infância do tio, e outra futura, na qual sua filha Andradazil atua como protagonista. O tempo do narrador confunde-se com os tempos das personagens, o passado e o futuro misturam-se, na narrativa, ao tempo presente. Ademais, o discurso narrativo, por meio de metáforas, resgata diversas obras da tradição literária que parecem construir um enigma ao longo da obra. Enigma que pretendemos decifrar na medida em que analisaremos os processos temporais da narrativa a partir dos postulados teóricos de Eric Auerbach (1976), Gérard Genette (1972), Benedito Nunes (2003) e Jean Pouillon (1974).

 

Biografia do Autor

Aline Camara Zampieri, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul

Mestre em Estudos de Linguagens pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Doutoranda em Letras na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Referências

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Publicado

04/04/2017

Como Citar

Zampieri, A. C. (2017). Entre céus e entrecéus desta viagem: a construção temporal em Meu Tio Roseno, A Cavalo, de Wilson Bueno. REVELL - REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA UEMS, 1(15), 268–283. Recuperado de https://periodicosonline.uems.br/index.php/REV/article/view/1443