A representação da voz subalterna: presença de voz, corpo e oralidade nos contos de Marcelino Freire

Autores

  • Taysa Cristina da Silva Universidade Estadual de Londrina
  • Vanderléia da Silva Oliveira Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP.

Palavras-chave:

Marcelino Freire, Dialogismo Velado, Oralidade.

Resumo

 

RESUMO: Analisa-se, por meio de dois contos,  – “Muribeca” e “Darluz” – a presença de marcas orais nas narrativas do autor pernambucano Marcelino Freire. Os contos apresentam como mecanismo de composição estético-discursiva a representação da voz subalterna através do Dialogismo Velado (BAKHTIN, 1981), modalidade discursiva responsável por anular a mediação de um narrador externo e incorporar a própria voz da personagem na narrativa, favorecendo, dessa forma, a incorporação de mecanismos como voz, corpo e oralidade. Para tanto, além das contribuições de Mikhail Bakhtin (1981, 1988), foram utilizados como referencial teórico as reflexões de Irene Machado (1995) e Paul Zumthor (1997, 2005, 2007), dentre demais pesquisadores que discutem sobre a reformulação da natureza oral como artefato artístico.

 

 


 

Biografia do Autor

Taysa Cristina da Silva, Universidade Estadual de Londrina

Mestre em Letras - Estudos Literários (UEL)

Vanderléia da Silva Oliveira, Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP.

Doutora em Letras. Docente do Centro de Letras, Comunicação e Artes da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP.

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Publicado

2017-09-05

Como Citar

da Silva, T. C., & Oliveira, V. da S. (2017). A representação da voz subalterna: presença de voz, corpo e oralidade nos contos de Marcelino Freire. REVELL - REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA UEMS, 2(16), 50–73. Recuperado de https://periodicosonline.uems.br/index.php/REV/article/view/1694