A estrangeiridade dos corpos sem órgãos do no conto abreuliano

Roniê Rodrigues da Silva, Natã Yanez de Oliveira Rodrigues de Melo

Resumo


Este artigo integra uma proposta de leitura do conto “O afogado” publicado na antologia O Ovo Apunhalado, do escritor Caio Fernando Abreu. Na análise, relacionamos literatura e filosofia para uma investigação da representação dos corpos dos personagens masculinos como meio crítico socioliterário, em que as implicações destas corporalidades na narrativa se vinculam a aspectos sociais. Dialogamos com os construtos teóricos dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, nas obras O Anti-Édipo e Mil Platôs, referentes às subjetivações corporais, em específico destacando a noção de Corpo sem Órgãos (CsO), insubmisso às estratificações, e que aparece problematizada num contraponto com a ideia de Organismo estratificante. As coletividades do enredo, uma dupla masculina e um grupo de moradores, ao se tensionarem, possibilitam a contextualização de termos esquizoanalíticos como Desterritorialização, Máquina Desejante, Poder e Potência. A relação entre dominação e potencialidade estabelece uma abertura a outro diálogo, com Michel Foucault em Vigiar e Punir, livro com o qual abordamos a alegoria do Panóptico, e a contraposição dos Corpos Dóceis ao CsO.

Palavras-chave


Literatura; Filosofia; Caio Fernando Abreu; Deleuze e Guattari; Corpo sem órgãos.

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Referências


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