Cartografando a São Paulo de Cassandra Rios: entre espaços urbanos e de circulação em Mutreta (1971)

Marcelo Branquinho Massucatto Resende

Resumo


O presente artigo visa esmiuçar, por meio dos estudos de literatura e espacialidade, as possíveis relações a serem estabelecidas entre os espaços frequentados pelas personagens do romance Mutreta (1971), de Cassandra Rios, e os espaços de circulação historicamente circunscritos e designados às obras literárias da autora, bem como o espaço ocupado pela escritora dentro do cânone literário. Para chegar à análise pretendida, parte-se de uma perspectiva cartográfica, a partir dos postulados de Foucault (2009) acerca da noção de espacialidade narrativa, o que permitiria uma visão ampla a respeito dos discursos em circulação e/ou já cristalizados sobre a escritora brasileira em questão, sejam eles acadêmicos, literários ou advindos do senso comum, cujas divergências impedem a elaboração de um consenso acerca dos fatos que permeiam a ficção da biografia de Rios, bem como a de sua ficção literária. A censura e proibição de suas obras, por parte da sociedade civil em conjunto com a censura militar, contribuíram para o conflito discursivo que até hoje cerca sua vida, e consequentemente, sua obra literária. Finalmente, ao direcionar um olhar para a obra literária enquanto folhetim autobiográfico, pretende-se quebrar a aparente oposição entre espaços fictícios e reais.


Palavras-chave


Espacialidade narrativa; Cassandra Rios; São Paulo; Dissidências sexuais.

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