Reflexões sobre autoria e corporeidade em Laerte-se

Lucas Piter Alves Costa, Jean Carlos Duarte Pinto Coelho

Resumo


A função-autor, como trazida por Foucault (2009), não necessita da pessoa física do autor; para funcionar no interior de uma sociedade produtora de textos, a função-autor ancora-se em um nome próprio de autor. No entanto, sobretudo com o advento das mídias audiovisuais, a figura do autor em carne e osso tem sido cada vez mais relevante para compor os efeitos de sentido do fenômeno da autoria. Tendo isso em vista, este trabalho objetiva discutir a relação entre autoria e corporeidade, tomando como ponto de partida os posicionamentos da cartunista Laerte no documentário Laerte-se, de 2017. Para isso, são mobilizados conceitos e pressupostos de Foucault (2009) sobre o fenômeno da autoria; de Maingueneau (2009, 2010) sobre a imagem de Autor; de Bourdieu (1989, 2008, 2011), Boltanski (1975) e Costa (2016) sobre o campo quadrinístico; de Bento (2006, 2012), Butler (2010), Bourdieu (2019), Foucault (1999, 2006) e Sartre (1987, 2015) sobre identidade transgenérica e corporeidade.


Palavras-chave


Corporalidade; Função autor; Laerte; Transgênero; Nome de autor

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