A metaficção historiográfica em Machado, romance de Silviano Santiago

Autores

Palavras-chave:

Literatura, história, metaficção.

Resumo

Este trabalho é sobre o romance Machado (2016), de Silviano Santiago, cujo propósito principal é compreender as relações entre Literatura e História presentes na ficcionalização do escritor Machado de Assis como personagem. Nesse sentido, buscamos alguns apontamentos de György Lukács em O romance histórico (2011), pois a discursividade na ficção é apresentada por meio da mescla indissociável entre o discurso ficcional e o histórico. Ambos são constituídos pela textualização em prosa, porém o primeiro diz respeito ao imaginário e o segundo ao factual. Logo, verifica-se a problematização da narrativa por ser permeada pela organização subjetiva e metadiscursiva do narrador-personagem, o qual faz apontamentos acerca de sua forma de narrar e da vida e da obra do escritor ficcionalizado, de modo a evidenciar seu conhecimento especializado a respeito da história do Rio de Janeiro, da história da literatura e de crítica literária. É importante compreender as definições de metaficção historiográfica, propostas por Linda Hutcheon, em A poética do pós-modernismo: história, teoria e ficção (1991), justamente por se tratar de uma ficção histórica contemporânea que apresenta uma narrativa intensamente autoconsciente. Esses traços são evidenciados a partir das análises de recortes do romance e das referências críticas e teóricas de que dispomos.

Biografia do Autor

Thiago Bittencourt, Universidade Estadual de Ponta Grossa

Mestre em Estudos da Linguagem pela Universidade Estadual de Ponta Grossa – Brasil. ORCID iD: https://orcid.org/0000-0002-5169-6349. E-mail: bittencourthiago7@gmail.com

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Publicado

30/11/2021

Como Citar

Bittencourt, T. (2021). A metaficção historiográfica em Machado, romance de Silviano Santiago. REVELL - REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA UEMS, 2(29), 13–35. Recuperado de https://periodicosonline.uems.br/index.php/REV/article/view/6471