"A ponte nos unindo ao passado”

história pública, memória e literatura

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.61389/revell.v3i36.7747

Palavras-chave:

Memória Feminina, Escrita Feminina, Estudos Feministas, História Pública

Resumo

Este artigo reflete sobre alguns aspectos da historiografia literária, histórica e canônica que emergem do estudo da obra memorialística Maria Clara (1978), da escritora norte-mineira Nazinha Coutinho. Em suas reminiscências, ela narra a trajetória da protagonista Clarinha, órfã de pai e mãe, criada pelos tios e pertencente a uma “família importante” de Montes Claros - MG, parte de uma elite rural que, aos poucos, substituía seus costumes pelos da elite industriária que começava a surgir na transição dos séculos XIX-XX. Este estudo possibilitou apreender os saberes de uma época, elaborados pela memória feminina, evidenciando sua potencialidade como objeto de reflexão. Aqui, destaca-se não apenas o processo da mulher como escritora, mas também um olhar histórico e regional sobre os empecilhos enfrentados por muitas mulheres do passado em busca de autonomia e autoafirmação.

Biografia do Autor

Patrícia Giselia Batista, Universidade Estadual de Montes Claros

Doutora em História pela Universidade Federal de Uberlândia – Brasil, com período sanduíche na University of Minnesota Twins City – Estados Unidos da América. Realiza estágio pós-doutoral em História na Universidade Estadual de Montes Claros, com Bolsa CAPES. Orcid iD: https://orcid.org/0000-0003-1052-7482.  E-mail: patriciagiseli@yahoo.com.br 

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Publicado

2024-07-10

Como Citar

BATISTA, Patrícia Giselia. "A ponte nos unindo ao passado” : história pública, memória e literatura . REVELL - REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA UEMS, [S. l.], v. 3, n. 36, p. 38–63, 2024. DOI: 10.61389/revell.v3i36.7747. Disponível em: https://periodicosonline.uems.br/index.php/REV/article/view/7747. Acesso em: 22 jul. 2024.