Política de saúde mental e cidadania:

o caso da atenção à saúde em Campinas-SP

Autores

  • Maycon Leandro Conceição UFSCar

Palavras-chave:

Política Nacional de Saúde Mental, Cidadania, Reforma Psiquiátrica, Políticas Públicas

Resumo

Este artigo visa analisar os desafios atuais da garantia dos direitos fundamentais
assegurados pelo campo das políticas públicas de saúde mental. O objetivo do estudo de
caso é compreender a relação do cuidado em saúde mental, mediante diálogos sobre as
mudanças das instituições psiquiátricas, os desdobramentos da implementação da Política
Nacional de Saúde Mental (PNSM) e o processo de saúde e adoecimento. Como
metodologia empregou-se métodos qualitativos, por meio de observação participante e
realização de entrevistas semiestruturadas com os profissionais de saúde em um Centro
de Atenção Psicossocial (CAPS) no município de Campinas-SP. Os dados indicam que
apesar de significativos avanços da Reforma Psiquiátrica no Brasil, persistem conflitos
na distribuição desigual de direitos, subfinanciamento dos serviços públicos, os
movimentos de reprodução da lógica manicomial, poder e estigmatização do sofrimento
psíquico. Por fim, ao considerarmos o atual contexto sociopolítico brasileiro,
identificamos as novas diretrizes do Estado ao retorno das instituições privativas de
liberdade, violações dos direitos sociais, sucateamento e desmonte do Sistema Único de
Saúde e, especialmente, a questão da prática ao cuidado em saúde sob hegemonia
neoliberal e de controle social.

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Publicado

30/05/2022

Como Citar

Conceição, M. L. (2022). Política de saúde mental e cidadania: : o caso da atenção à saúde em Campinas-SP. DESENVOLVIMENTO, FRONTEIRAS E CIDADANIA, 6(11), 94–117. Recuperado de https://periodicosonline.uems.br/index.php/fronteiracidadania/article/view/7009

Edição

Seção

Políticas públicas: instituições, atores e ideias