RELAÇÕES DE ARBITRARIEDADE E ICONICIDADEDE NA FORMAÇÃO DOS SINAIS EM LIBRAS

RELATIONS OF ARBITRARINESS AND ICONICITY IN THE FORMATION OF SIGNS IN LIBRAS

Visualizações: 120

Autores

DOI:

https://doi.org/10.48211/sociodialeto.v13i37.497

Palavras-chave:

Iconicidade; Arbitrariedade; Libras.

Resumo

Os fenômenos linguísticos da iconicidade e da arbitrariedade de itens lexicais nas línguas, há tempos, vêm suscitando o debate não só dos pesquisadores das línguas orais, mas também nas línguas de sinais. No Brasil, as discussões por muito tempo concentraram-se no binômio iconicidade e arbitrariedade, no entanto, neste artigo, compartilhamos os resultados de uma pesquisa de doutorado (CONSTÂNCIO, 2022) que partir dos seguintes questionamentos: (i) até que ponto é verdade que os sinais da Língua Brasileira de Sinais (Libras) são apenas icônicos ou arbitrários?; (ii) Será que existem outras gradações no continuum da iconicidade à arbitrariedade?; (iii) Assumindo o que preconiza a literatura especializada (KLIMA; BELUGGI, 1979, PERNISS; VIGLIOCCO, 2014; ORTEGA, 2017), para além da relação icônico e arbitrário, os sinais translúcidos e obscuros podem se manifestar na Libras? Os dados foram extraídos, inicialmente, da obra Iconographia dos Signaes dos Surdos–Mudos (GAMA, 1875), da qual foram selecionados 304 referentes. No entanto, para as análises, considerou-se uma versão mais atualizada, a do Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: a Libras em suas mãos (CAPOVILLA et al., 2017). Como critérios para realização das análises, estabelecemos que seriam selecionados somente os itens lexicais simples e monomanuais. As análises foram realizadas no formulário Google Forms, observando-se os parâmetros presentes na realização do sinal e os aspectos linguísticos. Os resultados revelaram que os sinais da Libras, para além dos icônicos/transparentes e arbitrários/opacos, de fato, podem envolver dois outros tipos de sinais, os chamados translúcidos e obscuros.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Rosana de Fámima Janes Constâncio, UFGD

Professora Adjunta da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) nos cursos Letras Libras – Licenciatura e Bacharelado. Doutora em Letras Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras, na área de concentração Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), na linha de pesquisa dos Estudos da linguagem: descrição dos fenômenos linguísticos, culturais, discursivos e de diversidade. Mestra em Educação Escolar pelo Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro Universitário Moura Lacerda de Ribeirão Preto, na área de concentração de Educação Escolar, na linha de pesquisa A constituição do sujeito no contexto escolar. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas PORLIBRAS (www.unioeste.br/porlibras) e do Grupo de Pesquisa Grupo de Estudos em Libras e Educação de Surdos (GELES).

Jorge Bidarra, UNIOESTE

Professor Sênior da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) nos cursos de Ciência da Computação, no Mestrado e no Doutorado de Letras (linha de pesquisa Mecanismos da linguagem, com ênfase em lexicologia/lexicografia, extração de informação em bases de dados não estruturadas). Líder do Grupo Inteligência Aplicada (UNIOESTE/CNPq) e Membro do Grupo de Pesquisa Linguagem e Sociedade (UNIOESTE/CNPq).

Tânia Aparecida Martins, UNIOESTE

Professora Adjunta na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE - campus de Toledo). Docente e orientadora de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Letras da UNIOESTE, campus de Cascavel. Doutora e Mestra pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Letras, na área de concentração Linguagem e Sociedade da UNIOESTE, na linha de pesquisa Estudos da linguagem: descrição dos fenômenos linguísticos, culturais, discursivos e de diversidade. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas para a investigação da LIBRAS em Interface com Língua Portuguesa Brasileira (PORLIBRAS - https://www.unioeste.br/portal/porlibras/sobre-o-grupo). Membro do Grupo de Pesquisa Linguagem & Cognição: escolhas tradutórias e interpretativas (LingCognit).

Referências

BRASIL. Presidência da República. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm. Acesso em: 18 abr. 2018.
CAPOVILLA, F. C.; RAPHAEL, W. D. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue da Língua de Sinais Brasileira. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001.
CAPOVILLA, F. C. et al. Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: a Libras em suas mãos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2017.
CASTILHO, A. T. Gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2014.
CONSTÂNCIO, R. de F. J. Relações de Arbitrariedade e Iconicidade na composição dos sinais em Libras. 2022. Tese (Doutorado em Letras) –Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel, 2022.
CRUZ-ALDRETE, M.; VILLA-RODRÍGUEZ, M. Á. La iconicidad en la formación del lexicón en la Lengua de Señas Mexicana. Lengua y Habla, [s.l.], n. 17, p. 14-33, ene./dic., 2013.
DICIO. Dicionário online de português. Continência. DICIO, 2020. Disponível em: https://www.dicio.com.br/continencia/. Acesso em: 20 abr. 2022.
FERREIRA BRITO, L. Similarities and Differences in Two Sign Languages. Sign Language Studies, [s.l.], v. 13, n. 42, 1984.
FRYDRYCH, L. A. K. Rediscutindo as noções de arbitrariedade e iconicidade: implicações para o estatuto linguístico das línguas de sinais. ReVEL, v. 10, n. 19, p. 291, 2012.
GAMA, F. J. Iconographia dos signaes dos surdos-mudos. Rio de Janeiro: Tipografia Universal de E. & H. Laemmert, 1875.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 7. ed. São Paulo: Editora ATLAS, 2019.
HAIMAN, J. Natural syntax. Iconicity and erosion. Cambridge: Cambridge University Press, 1985.
KLIMA, E.; BELLUGI, U. The Signs of Language. Cambridge: Harvard University Press, 1979.
MARTELOTTA, M. E. Manual de Linguística. 1. ed. São Paulo: Contexto, 2008.
OATES, E. Linguagem das Mãos. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Livro S.A., 1969.
O SOLO. Como surgiu a continência? O Sollo, 1 de janeiro de 2017. Disponível em: https://osollo.com.br/como-surgiu-a-continencia/. Acesso em: 20 jun. 2022.
PEIRCE, C. S. Semiótica. 3. ed. São Paulo: Perspectiva, 2000.
PERNISS P. M; VIGLIOCCO G. The bridge of iconicity: from a world of experience to the experience of language. Phil. Trans. R. Soc., [s.l.], v. 369, e-20130300, 2014.
SAUSSURE, F. Curso de Linguística Geral. Tradução de Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. 28. ed. São Paulo: Cultrix, 2012.
SOCIEDADE TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS. Linguagem de Sinais. Cesário Lange, SP: Associação Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1992.
SOFIATO, C. G.; REILY, L. Justaposições: o Primeiro Dicionário Brasileiro de Língua de Sinais e a Obra Francesa que Serviu de Matriz. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 18, n. 4, p. 569-586, out./dez. 2012.
STOKOE, W. C. Sign language structure: as outline of the visual communication system for the American deaf. Buffalo, Nova York: Buffalo University, 1960.
TUCCI, Flora. Crátilo e Ferenczi: uma reflexão sobre a linguagem. Cad. Psicanál. (CPRJ), Rio de Janeiro, v. 42 n. 43, p. 207-223, jul./dez. 2020.

Downloads

Publicado

20-10-2022

Como Citar

Constâncio, R. de F. J., Bidarra, J., & Martins, T. A. (2022). RELAÇÕES DE ARBITRARIEDADE E ICONICIDADEDE NA FORMAÇÃO DOS SINAIS EM LIBRAS: RELATIONS OF ARBITRARINESS AND ICONICITY IN THE FORMATION OF SIGNS IN LIBRAS. WEB REVISTA SOCIODIALETO, 13(37), 1–23. https://doi.org/10.48211/sociodialeto.v13i37.497
Received 2022-10-19
Accepted 2022-10-20
Published 2022-10-20