PARTICULARIDADES DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA DO BRASIL E DA CHINA
uma análise do destino da produção agroalimentar dos países
DOI:
https://doi.org/10.61389/geofronter.v12.10270Palavras-chave:
Cadeias Agroalimentares; Soberania Alimentar; Relações Brasil-China; Comércio Exterior.Resumo
Este trabalho consiste em um estudo de caso sobre a dinâmica produtiva de dois países que, embora compartilhem aspectos semelhantes, também apresentam diferenças significativas, posicionando-se como potências no setor agroalimentar. Desta forma, o texto objetiva apontar as especificidades da produção agrícola do Brasil e da China, com foco no destino dessa produção. Metodologicamente, o artigo foi escrito por meio dos seguintes passos: 1) levantamento bibliográfico e de dados; 2) construção de tabelas, gráficos e quadros e 3) análise qualitativa de dados e informações levantadas. A partir disso, observa-se que, enquanto a produção brasileira se consolida como um agente global relevante nas cadeias de valor internacionais, a produção chinesa direciona-se majoritariamente para o seu mercado interno. Ademais, constatou-se também que apesar do Brasil ser um grande exportador de milho, carne bovina, suína e de frango, o consumo doméstico desses produtos é superior às vendas externas. O único produto analisado que foge dessa lógica é a soja, que saiu de aproximadamente 40% em 2000, alcançou 72% em 2019 e chegou a 2025 com 60% da sua produção direcionada ao mercado externo. Ambos os países registram ganhos contínuos de produtividade, que persistem mesmo diante de sazonalidades esporádicas, sempre superadas por fases de recuperação.
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