A performance de Gilberto Gil em “Os Doces Bárbaros” (1976)

negritude e resistência frente à ditadura militar no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9464

Palavras-chave:

Performance, Resistência, negritude, Gilberto Gil, Doces Bárbaros

Resumo

O presente artigo visa a discutir a performance de resistência de Gilberto Gil  a partir do documentário “Os Doces Bárbaros”, dirigido por Jon Tob Azulay. Para tanto, será analisado o momento de seu julgamento, compreendido do minuto 22min 45s ao 43min 25s do documentário; ação decorrente da prisão por porte de maconha em 1976. A performance do cantor revela o riso ambivalente, irônico e sarcástico no momento das falas dos magistrados denuncia o conservadorismo e a opressão da época, com o AI-5 em vigência. Estrelado pelos baianos Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso, o documentário apresenta um repertório musical de resistência ao período militar e destaca, nas representações artístico-musicais, a influência africana na cultura brasileira, incorporando as representações do mundo mítico das religiões de matrizes africanas em suas performances. Neste trabalho, objetiva-se por em diálogo a performance de Gil em destaque com composições do disco Refavela, em especial a canção Sandra, onde o artista destaca o cuidado das mulheres que o acompanharam até a internação no hospital psiquiátrico. Desse modo, pretende-se observar de que modo a negritude, a ancestralidade e a liberdade pulsante nas obras de Gilberto Gil e dos Doces Bárbaros constituíram fonte de resistência à opressão sofrida em contexto ditatorial no Brasil.

Biografia do Autor

  • Michele Freire Schiffler, Universidade Federal do Espírito Santo

    Doutora em Letras pela Universidade Federal do Espírito Santo - Brasil. Realizou estágio pós-doutoral em Literatura na Universidade Federal do Espírito Santo – Brasil e na Universidad de Sevilla – Espanha. Professora da Universidade Federal do Espírito Santo - Brasil

    E-mail: miletras@yahoo.com.br

    ORCID iD: http://orcid.org/0000-0001-9198-468X

  • Suelem Cristina dos Santos, Universidade Federal do Espírito Santo

    Mestranda em Letras na Universidade Federal do Espírito Santo - Brasil. Bolsista CAPES – Brasil.

    E-mail: suelem.catrinque49@gmail.com

    ORCID iD: https://orcid.org/0009-0001-7196-6721

Referências

BAKHTIN, Mikhail. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo, Brasília: Hucitec, Editora Universidade de Brasília, 2008.

DOCES BÁRBAROS. Rio de Janeiro: Philips Records: 1976. Álbum (1h22min).

EAGLETON, Terry. Humor – o papel fundamental do riso na cultura. Rio de Janeiro: Record, 2020.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 14.ed. São Paulo: Edusp, 2015.

GIL, Gilberto. Refazenda. Rio de Janeiro: Philips Records: 1975. Álbum (37min 28s).

GIL, Gilberto. Refavela. Rio de Janeiro: Philips Records: 1977. Álbum (37min 44s).

KAMINSKI, Leon. A doutrina nacional, guerra psicológica e políticas antidrogas no Brasil. XXIII Encontro Regional de História da Apuh-Mg: Brasil 200 anos depois entre a independência e os desafios da contemporaneidade. Diamantina, MG. p. 1-10, 27 jul. 2022. Disponível em: https://www.encontro2022.mg.anpuh.org/resources/anais/18/ anpuh-mg-eh2022/1659986463_ARQUIVO_badf8f9c0db765aed0543c3522feb6e7.pdf. Acesso em: 17/01/2025.

MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar: poéticas do corpo tela. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.

MIGNOLO, Walter. Desobediência Epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Literatura, língua e identidade, n. 34, p. 287-324, 2008.

MUNANGA, Kabengele. Negritude: usos e sentidos. 3.ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

OS DOCES BÁRBAROS. Direção de Jon Tob Azulay. Produção de Gilberto Gil Produções e Maria Bethânia Produções. Rio de Janeiro: Phonogram: 1976. Documentário/Musical (1h 40min). Disponível em: Globlo Play e https://youtu.be/FlAjvgh0_Ok?si=RKW2oCviH8KbHR2T. Acesso em: 17/01/2025.

RENNÓ, Carlos. Gilberto Gil: todas as letras. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

RIBEIRO, Christian. Gilberto Gil e a reconstrução artístico-política do conceito de negritude em Refavela. Revista Espaço Acadêmico. São Paulo, n. 202, p. 97-111, mar. 2018.

SCHECHNER, Richard. O que é Performance? O Percevejo. Revista de Teatro, Crítica e Estética. Ano 11, n. 12, 2003.

TAYLOR, Diana. Performance, Teoría y Práctica. In: Taylor, Diana; Fuentes, Marcela A. (Edits.) Estudios Avanzados de Performance. 1.ed. México: Fondo de Cultura Económica, 2011.

Downloads

Publicado

2026-03-10

Como Citar

A performance de Gilberto Gil em “Os Doces Bárbaros” (1976): negritude e resistência frente à ditadura militar no Brasil. REVELL - REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA UEMS, [S. l.], v. 2, n. 40, p. 100–120, 2026. DOI: 10.61389/revell.v2i40.9464. Disponível em: https://periodicosonline.uems.br/REV/article/view/9464. Acesso em: 17 abr. 2026.