A autoria de mulheres como projeto estético decolonial em Colombo de Terrarrubra (1994), de Mary Cruz
Palavras-chave:
Autoria de mulheres;, Romance histórico;, Decolonialidade;, Feminismo decolonial.Resumo
Ao conquistar, lenta e arduamente, o espaço da expressão literária, as mulheres escritoras, diante dos registros históricos tradicionais, viram na escrita híbrida do romance histórico uma oportunidade para recuperar figuras e acontecimentos ignorados (Cunha, 2004). Mais recentemente, no contexto da escrita de mulheres sobre o “descobrimento”, a conquista e a colonização da América, diversas obras buscam retratar perspectivas outras que não aquelas celebradas pela historiografia. Esse é o caso do romance Colombo de Terrarrubra (1994), da escritora cubana Mary Cruz, o qual propomos analisar as imagens escriturais produzidas acerca de Cristóvão Colombo e as consequências diretas de suas ações. A diegese atém-se a uma revisão dos acontecimentos que marcaram o fim do século XV, valendo-se, assim, da voz enunciadora de Antón de Alaminos, marinheiro espanhol pouco conhecido na história que, no decorrer da narrativa, expõe seus anseios, temores e expectativas, desvelando a essência humana de Colombo e suas muitas fraquezas. Para tratarmos do discurso ficcional de autoria de mulheres no âmbito da “poética do ‘descobrimento” da América, contamos com os pressupostos teóricos de Cunha (2004), Guerra (2007), Zolin (2009), Fleck (2021), entre outros. Desse modo, podemos demonstrar como o romance histórico escrito por mulheres, em sua vertente crítica mediadora (Fleck, 2017), pode apresentar projetos estéticos decoloniais (Mignolo, 2000, 2017; Lugones, 2008, 2014) que valorizam, na escrita literária, perspectivas e personagens antes marginalizadas. Isso resulta na desestabilização dos campos discursivos e ideológicos e, consequentemente, das estruturas da colonialidade das nações da América Latina.
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