O tempo cronológico e o tempo metamórfico em Moho, de Paulete Jonguitud Acosta
DOI:
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9544Palavras-chave:
metamorfose; modernidade, tempo; Moho; Paulete Jonguitud AcostaResumo
Moho, novela da escritora mexicana Paulete Jonguitud Acosta, publicado em 2010, retrata a insólita experiência de Constanza, uma mulher de meia-idade pertencente a uma família de classe média-alta, às vésperas do casamento da filha e ainda abatida pela recente separação, que descobre uma estranha mancha na coxa atingindo proporções descomunais. O estudo busca entender como a temporalidade é elaborada no livro, que funciona não apenas como uma marcação da ação. Por meio da sua tematização, é possível inferir uma leitura que evidencia duas temporalidades em jogo. O tempo cronológico, matriz da vida moderna, e o “tempo metamórfico” que se insurge contra o primeiro e vai moldando a nova identidade da protagonista. Contra as ingerências do tempo cronológico rebela-se a vida humano-vegetal de Constanza e toda a base do que foi a sua vida até então. Deste modo, a família nuclear burguesa, estrutura privilegiada da estrutura social moderna, também é implodida no desvelamento de traições e de profundos recalques. Para o desenvolvimento desta pesquisa, recorreu-se às reflexões de estudiosos da modernidade, como Marshall Berman, a fim de descrever o sentido do tempo cronológico na nova configuração social, e, para a compreensão do tempo metamórfico, as reflexões do pesquisador italiano Emanuelle Coccia, em Metamorfoses (2020), além dos conceitos de devir e de rizoma, de Deleuze e Guattari, foram essenciais. A tese de Rafael Mófreita Sadanha foi de particular relevância para a explicação sobre o “ethos presentista”.
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