O selvagem no corpo desfigurado de Hermógenes em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa

Autores/as

Palabras clave:

Grande sertão, veredas, Guimarães Rosa, Hermógenes, Corpo, Selvagem, Desfiguração.

Resumen

O presente estudo pretende refletir criticamente sobre o corpo de Hermógenes, personagem do romance Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa (1908-1967). Em nossa abordagem, desenvolveremos a perspectiva do informe como questão que corrobora uma desfiguração corporal, prefigurada como da ordem do selvagem. Neste sentido, enfatizaremos o caráter moderno deste personagem, que se apresenta sem forma fixa, sendo, portanto, desmedido, sem contorno e misturado. Para isto, recorremos às reflexões de Moraes (2017), Giorgi (2016), Bolle (1998), Machado (2003), Santiago (2017) e Rosenfeld (2009). Ao lado desses últimos, consideramos, também, o pensamento de Bataille (2018), Derrida (2002) e Agamben (2017) sobre o informe, o animal e o aberto, respectivamente.

Biografía del autor/a

  • Fabrício Lemos da Costa, Universidade Federal do Pará
    Possui graduação em Letras-Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará (2012) e Especialização em Produção de Material Didático e Formação de Mediadores de Leitura para EJA pela Universidade Federal do Amapá (2016). Mestre em Letras- Estudos Literários pela Universidade Federal do Pará. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Literatura Brasileira.
    (Texto informado pelo autor)
  • Sílvio Augusto de Oliveira Holanda, Universidade Federal do Pará
    Possui graduação em Letras (Português/Francês) pela Universidade Federal do Pará (1990), mestrado em Letras/Teoria Literária pela Universidade Federal do Pará (1994), doutorado em Letras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidade de São Paulo (2000) e pós-doutorado em Estudos Românicos pela Universidade de Lisboa (2007). Atualmente é professor associado IV da Universidade Federal do Pará, tendo sido coordenador do Programa de Pós-graduação em Letras (2009-2011) da referida instituição. Desde 2001, é membro permanente do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPA. Dirige a Faculdade de Letras (2017-2019) da UFPA. Tem experiência na área de Letras, atuando principalmente nos seguintes temas: Guimarães Rosa, Literatura brasileira, literatura da Amazônia e recepção crítica.

Referencias

AGAMBEN, Giorgio. O aberto: o homem e o animal. Trad. Pedro Barbosa Mendes. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017. 162 p.

BATAILLE, Georges. Documents. Trad. João Camilo Penna e Marcelo Jacques de Moraes. Florianópolis: Cultura e Barbárie, 2018. 272 p.

BOLLE, Willi. O sertão como forma de pensamento. Scripta, Belo Horizonte, v. 2, n. 3, p. 259-271, 2. sem., 1998.

DERRIDA, Jacques. O animal que logo sou. Trad. Fábio Landa. São Paulo: Ed. UNESP, 2002. 92 p.

GIORGI, Gabriel. Formas comuns: animalidade, literatura, biopolítica. Trad. Carlos Nougué. Rio de Janeiro: Rocco, 2016. 238 p.

MACHADO, Ana Maria. Recado do Nome: leitura de Guimarães Rosa à luz do nome de seus personagens. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003. 203 p.

MORAES, Eliane Robert. O corpo impossível: da decomposição da figura humana: de Lautréamont a Bataille. 2. ed. São Paulo: Iluminuras, 2017. 238 p.

SANTIAGO, Silviano. Genealogia da Ferocidade: ensaio sobre o Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Recife: Cepe, 2017. 117 p.

ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. 594 p.

ROSENFELD, Anatol. Reflexão sobre o romance moderno. In: Texto e Contexto I. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 2009. p. 75-97.

RILKE, Rainer Maria. Elegias de Duíno. Trad. Dora Ferreira da Silva. 6. ed. São Paulo: Biblioteca Azul, 2013. 125 p.

Publicado

2021-01-21

Cómo citar

O selvagem no corpo desfigurado de Hermógenes em Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. REVELL - REVISTA DE ESTUDIOS LITERARIOS DA UEMS, [S. l.], v. 2, n. 25, p. 620–636, 2021. Disponível em: https://periodicosonline.uems.br/REV/article/view/5269. Acesso em: 8 apr. 2026.