Uma sinhá-moça em Recife
memória de viagem em Oiteiro, de Madalena Antunes
DOI:
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9441Palabras clave:
relato de viagem; memória; Oiteiro; Madalena Antunes.Resumen
Oiteiro – memórias de uma sinhá-moça, de 1958, narra a infância e juventude de Madalena Antunes, herdeira da aristocracia açucareira de Ceará-Mirim/RN. Escrito anos depois, já na velhice da autora, o livro rememora seu tempo vivido entre as zonas rural e urbana da cidade; vivência que muda quando a sinhazinha é mandada para o Colégio São José, em Recife, onde ela permanece internada dos onze aos dezesseis anos. Sob a perspectiva de uma narradora idosa, a obra memorialística propicia ao leitor um relato de viagem que é uma verdadeira volta ao passado. Nesse sentido, o objetivo do presente trabalho foi analisar, a partir dos recursos linguísticos e literários empregados no texto, de que maneira a escritora constrói a narrativa de sua viagem tendo a memória como força motriz. Para tanto, a pesquisa, de caráter qualitativo, apoiando-se em uma abordagem interdisciplinar, dialogou em especial com as contribuições valiosas de Junqueira (2011), Cunha (2012), Schemes (2015) e Bosi (1994, 2003). A discussão baseada na leitura crítico-interpretativa de Oiteiro evidenciou a memória como principal articulador do relato de Madalena, cuja narrativa, carregada de sensibilidade e nostalgia, apresenta-se como um rico exemplar do gênero relato de viagem, porquanto deixa ver as relações de alteridade construídas por meio da percepção do eu viajante, fazendo refletir sobre o que significava ser uma sinhá-moça no contexto brasileiro do séc. 19.
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