Quando a vida vira palavra
Dororidade e escrevivência em Cartas para minha avó, de Djamila Ribeiro
DOI :
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9538Mots-clés :
Dororidade, escrevivência, cartas, racismo, literatura femininaRésumé
Este artigo tem por objetivo analisar o livro Cartas para minha avó (2021), de Djamila Ribeiro, a partir dos conceitos de Dororidade e escrevivência. Inicialmente, discutimos como a Dororidade – termo proposto por Vilma Piedade (2017) – se manifesta nos laços de afeto e partilha de dores entre Djamila e outras mulheres negras, fortalecendo redes de acolhimento fundamentais para sua trajetória. Em seguida, refletimos sobre o processo de escrevivência, conforme delineado por Conceição Evaristo (2020), como instrumento que possibilita à autora compreender e narrar vivências marcadas pelo racismo cotidiano. A obra, escrita em forma epistolar, apresenta relatos autobiográficos nos quais a narradora-autora “conversa” com sua avó, já falecida, transitando entre presente e passado para ressignificar acontecimentos de sua infância e vida adulta. A pesquisa foi realizada por meio de estudo bibliográfico, utilizando contribuições teóricas de Vilma Piedade (2017), Conceição Evaristo (2020) e Djamila Ribeiro (2018). Ao final da análise, constatamos que a escrevivência e a Dororidade se fazem presentes na narrativa, sendo suporte e potência para o desenvolvimento das mulheres negras retratadas no livro. As vivências que se tornam escrita permitem que a narradora-autora enfrente as adversidades impostas pela estrutura racista da sociedade e compreenda que a partilha e a memória são caminhos de reexistência.
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