Uma cartografia dos corpos na arte de Cristina Salgado

considerações estético-discursivas

Autores/as

Palabras clave:

Discurso, Arte, Corpo, Subjetividade

Resumen

O artigo analisa a relação entre discurso, corpo e subjetividade a partir da obra Maria Convulsionada, da série Mulheres em dobras (2006), da artista brasileira Cristina Salgado. A investigação parte da premissa de que dizer, ver e enunciar não apenas refletem a realidade, mas a constroem, moldando corpos e subjetividades. A partir de uma análise estético-discursiva, o texto examina como práticas artísticas podem questionar e subverter as construções socioculturais que regulam o corpo feminino, expondo as redes de poder que o atravessam. O artigo também percorre a tradição filosófica ocidental que historicamente subordinou o corpo à mente, desde Parmênides e o ideal platônico até o cientificismo moderno. Em contraponto, são destacadas perspectivas filosóficas que desafiaram essa dualidade, como as de Epicuro, Spinoza e Nietzsche, que valorizam o corpo como parte essencial da experiência e da subjetividade. Por fim, o texto utiliza o conceito de dobra, proposto por Gilles Deleuze, para compreender o enunciado artístico como uma prática de resistência e criação de subjetividades não normativas. Assim, a obra de Salgado é interpretada como um gesto estético e político que reconfigura os modos de existência feminina, rompendo com representações fixas e instaurando novos modos de sentir, pensar e existir no mundo.

Biografía del autor/a

Ana Paula Dias Pires, Universidade Federal de Catalão - UFCAT

Doutoranda em Estudos da Linguagem (PPGEL - UFCAT) Mestra em Educação pelo Programa de Pós-graduação em Educação - PPGEDUC, da Universidade Federal de Catalão (UFCAT). Graduada em Psicologia Bacharelado e Licenciatura pela Universidade federal de Goiás / Regional Catalão (UFG/RC).

Bruno Gonçalves Borges, Universidade Federal de Catalão (UFCAT)

Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Doutor em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Mestre em Educação e graduado em Filosofia. Professor da Universidade Federal de Catalão, lotado na Faculdade de Educação. Também é professor no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), atuando na linha de pesquisa Discurso, Sujeito e Sociedade. Tem interesse em filosofia e suas intersecções com a educação, a linguagem e a tecnologia. Seus intercessores são Gilles Deleuze, Félix Guattari e Gilbert Simondon. Foi coordenador da Editora Universitária de 2022 a 2023 e Diretor de Ensino da Pró-Reitoria de Graduação no ano de 2024. É editor da coleção Filosofia Formação e do Portal Eletrônico Filosofia no Cerrado.

Citas

BARROS, Roberta. Elogio ao toque: ou como falar de arte feminista à brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Do Autor, 2016.

BORGES, Bruno Gonçalves. A filosofia do discurso de Deleuze e Guattari: possibilidades para a análise do discurso. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, SC, v. 24, p. 1-19, 2024. e-1982-4017-24-29. Disponível em DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1982-4017-24-29. Acesso em: nov. 2024.

COURTINE, J.J. Decifrar o corpo: pensar com Foucault. Tradução de Francisco Morás. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.

DELEUZE, Gilles. A dobra. Leibniz e o barroco. Trad. Luiz Benedicto Lacerda Orlandi. 6. ed. Campinas: Papirus, 1991.

DELEUZE, Gilles. Conversações. Tradução de Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 2013.

Deleuze, Gilles; Guattari, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizonfrenia. Trad. Aurélio Guerra Neto; Célia Pinto Costa. São Paulo: Editora 34, 1995.

FOUCAULT, M. História da sexualidade I: a vontade de saber. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 9. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

FOUCAULT, Michel. Isto não é um cachimbo. Tradução de Jorge Coli. São Paulo: Paz e Terra, 2021.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Trad. de Raquel Ramalhete. 33.ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

GREINER, Christine. O corpo: pistas para estudo indisciplinares. São Paulo: Annablume, 2005.

GROSZ, Elizabeth. Corpos reconfigurados. Cadernos Pagu, Campinas, SP, n. 14, p. 45–86, 2015. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8635340. Acesso em: 31 out. 2024.

MARTINS, Ana Paula Vosne. Visões do feminino: a medicina da mulher nos séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2004.

NOCHLIN, Linda. Por que não houve grandes mulheres artistas? São Paulo: Edições Aurora, 2016.

PICASSO, Pablo. Grande nu. 1929. Óleo sobre tela. Musée national Picasso-Paris, Paris, França.

RAGO, M. Os mistérios do corpo feminino, ou as muitas descobertas do “amor venéris”. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, v. 25, 2012. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/10587. Acesso em: 31 out. 2024.

RIVERA, T. Sobre Escultura como Imagem, sobre Cristina Salgado, Revista Concinnitas, n. 1, v. 14, 2020, p. 142–147. Disponível em https://doi.org/10.12957/concinnitas.2009.55538. Acesso em set. 2024.

SALGADO, Cristina. Escultura como imagem. 2008. Dimensões variáveis. Tapete, tubos de borracha, parafusos. Paço Imperial, Rio de Janeiro. Coleção do Museu Nacional do Conjunto Cultural da República. Disponível em: https://cristinasalgado.com/. Acesso em 17 jan. 2025.

SALGADO, Cristina. Grande nua. 2009. Dimensões variáveis. Tapete, tubos de borracha, poltrona, espelho. Cavalariças da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro. Disponível em: https://cristinasalgado.com/. Acesso em 17 jan. 2025.

SALGADO, Cristina. Instantâneos. 2002. Disponível em: https://cristinasalgado.com/. Acesso em 17 jan. 2025.

SALGADO, Cristina. Maria Convulsionada, da série Mulheres em Dobras. 2006. 160 x 60 x 35cm. Tapete, tecido emborrachado, parafusos. Disponível em: https://cristinasalgado.com/. Acesso em 17 jan. 2025.

SBARDELOTTO, D. Corpo de mulher que dobra. Millcayac - Revista Digital de Ciencias Sociales, [S. l.], v. 5, n. 8, p. 143–156, 2018. Disponível em: https://revistas.uncu.edu.ar/ojs/index.php/millca-digital/article/view/1106. Acesso em: 17 jan. 2025.

SILVA, Jeferson Luis Lima da. Útero errante, desequilibrado e controlado: reflexões contemporâneas e perspectivas historiográficas acerca da patologização do corpo feminino. Revista Eletrônica História em Reflexão, v. 19, n. 36, p. 153–178, 2024. DOI: 10.30612/rehr.v19i36.17335. Disponível em: https://ojs.ufgd.edu.br/historiaemreflexao/article/view/17335. Acesso em: 25 mar. 2025.

TELLES, Norma. Belas e Feras. São Paulo, 2006. Disponível em https://www.normatelles.com.br/belas_e_feras/. Acesso em: 31 out. 2024.

TOLEDO, E. T. de.; VIMIEIRO, A. C.. A Vida Sexual, de Egas Moniz: eugenia, psicanálise e a patologização do corpo sexuado feminino. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, v. 25, p. 69–86, 2018. Disponível em https://doi.org/10.1590/S0104-59702018000300005. Acesso em: 31 out. 2024.

TVARDOVSKAS, Luana Saturnino. Dramatização dos corpos: arte contemporânea e crítica feminista. São Paulo: Intermeios, 2015.

Publicado

2026-03-10

Cómo citar

DIAS PIRES, Ana Paula; GONÇALVES BORGES, Bruno. Uma cartografia dos corpos na arte de Cristina Salgado: considerações estético-discursivas. REVELL - REVISTA DE ESTUDIOS LITERARIOS DA UEMS, [S. l.], v. 3, n. 41, p. 116–129, 2026. Disponível em: https://periodicosonline.uems.br/REV/article/view/9497. Acesso em: 10 mar. 2026.

Número

Sección

Emancipação e visibilidade de corpos dissidentes