O livro de Zenóbia e Essa coisa viva:
uma leitura ecocrítica das produções literárias de Maria Esther Maciel
Palabras clave:
literatura brasileira contemporânea, ecocrítica, Maria Esther Maciel, naturezaResumen
Este artigo analisa, sob a perspectiva ecocrítica, os elementos naturais presentes nas obras O livro de Zenóbia (2004) e Essa coisa viva (2024), da autora brasileira Maria Esther Maciel. O estudo investiga de que forma a autora dá voz e singularidade aos elementos naturais e estabelece uma inter-relação entre o meio ambiente e as experiências, emoções e memórias humanas. A partir de uma abordagem teórica fundamentada nos preceitos ecocríticos de Garrard (2006), Buell (1995; 2005) e Mukherjee (2010), além da noção de memória ambiental de Yi-Fu Tuan (1980) e Devos (2008), o trabalho observa como plantas, frutas, paisagens e até animais não apenas compõem o cenário narrativa, mas moldam a construção das personagens e o desenvolver dos enredos. Em O livro de Zenóbia, listas de plantas ameaçadas de extinção são apresentadas, ampliando a consciência ecológica, enquanto que as descrições minuciosas de elementos naturais reforçam a interconexão com o meio ambiente. Já em Essa coisa viva, a natureza assume um papel íntimo e psicológico, sendo refúgio emocional e ajudando a protagonista a ressignificar traumas. Ao destacar esses aspectos, a autora desafia as hierarquias antropocêntricas e propõe uma nova ética de coexistência, em que todas as formas de vida possuem agência e importância. Assim, ambas as obras demonstram o potencial da literatura para abordar a interdependência entre o humano e o não-humano e promover reflexões sobre conscientização e justiça ambiental.
Citas
ALMEIDA, Maria do Socorro Pereira. Homem, animal e espaço numa visão ecocrítica, em Graciliano Ramos e Miguel. In: ALMEIDA, Maria do Socorro Pereira; AZEVEDO, S. L. M. (Orgs.). Espaço interdisciplinar: literatura, meio ambiente e relações sociais. Recife: Baraúna, 2008. p. 125-158.
BRUGIONI, Elena; MELO, Alfredo Cesar. Ecocrítica: Literatura e Colapso Ambiental. Remate de Males, Campinas-SP, v.42, n.2, pp. 254-259, jul./dez. 2022.
BUELL, Lawrence. The environmental imagination: Thoreau, Nature Writing, and the Formation of American Culture. Massachusetts: Harvard University Press, 1995, p.
BUELL, Lawrence. The Future of Environmental Criticism: Environmental Crisis and Literary Imagination. Malden, Blackwell Publishing, 2005.
CAMPELO JUNIOR, Marcos Vinicius; WIZIACK, Suzete Rosana de Castro. Educação ambiental e o movimento ambientalista: marcos históricos no Brasil. Rev. Hist. UEG - Morrinhos, v.12, n.2, e-222309, jul./dez. 2023.
DESPRET, Vinciane. O que diriam os animais se…. Chão da feira, v. 45, 2016. Disponível em: .https://chaodafeira.com/catalogo/caderno-n-45-o-que-diriam-os-animais-se/. Acesso em 20 de nov. 2024.
DEVOS, R. V. A memória ambiental nas narrativas de cronistas e “memorialistas”. MOUSEION, v. 2, n. 3, p. 65-90, jan./jun. 2008.
GARRARD, Greg. Ecocrítica. Tradução de Vera Ribeiro. Brasília: Editora UNB, 2006.
GLOTFELTY, Cheryll. Introduction-literary studies in an age of environmental crisis. In: GLOTFELTY, Cheryll & FROMM, Harold; (orgs). The ecocristicism reader – landmarks in literary ecology. Athens / London: The Univ. of Georgia Press, 1996, p. XV-XXXVII.
HARAWAY, Donna Jeanne. Staying with the trouble: making kin in the Chthulucene. Durham: Duke University Press, 2016.
MACIEL, Maria Esther. O livro de Zenóbia. Rio de Janeiro: Lamparina editora, 2004.
MACIEL, Maria Esther. Zoopoéticas Contemporâneas. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 88 p., 2023.
MACIEL, Maria Esther. Essa coisa viva. 1ª ed. São Paulo: Todavia Editora, 2024.
MARCHESINI, Roberto. “Sempre fomos pós-humanos”: filosofia pós-humanista e natureza humana. Trad. Moisés Sbardelotto. Instituto Humanitas Unisinos - IHU, 2021.
MOURA, Adriano Carlos; BARBOSA JÚNIOR, Ronaldo Henrique. Paraíba de mim: uma leitura ecocrítica da obra de Lúcia Miners. Vértices (Campos dos Goitacazes), v. 25, n. 2, e25219090, 2023. DOI: https://doi.org/10.19180/1809-2667.v25n22023.19090.
MUKHERJEE, Pablo Upamanyu. Postcolonial Environments: Nature, Culture and the Contemporary Indian Novel in English. Palgrave McMillan, 2010.
RUECKERT, W. Literature and Ecology: An Experiment in Ecocriticism. In: GLOTFELTY, C.; FROMM, H. (ed.). The Ecocriticism Reader: Landmarks in Literary Ecology. Athens and London: The University of Georgia Press, 1996. p. 105-123.
TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. Trad. Lívia de Oliveira. São Paulo: DIFEL, 1980.
Descargas
Publicado
Cómo citar
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2025 REVELL - REVISTA DE ESTUDIOS LITERARIOS DA UEMS

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución 4.0.
DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E EXCLUSIVIDADE E CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS
Declaro que o presente artigo é original e não foi submetido à publicação em qualquer outro periódico nacional ou internacional, quer seja em parte ou na íntegra. Declaro, ainda, que após publicado pela REVELL, ele jamais será submetido a outro periódico. Também tenho ciência que a submissão dos originais à REVELL - Revista de Estudos Literários da UEMS implica transferência dos direitos autorais da publicação digital. A não observância desse compromisso submeterá o infrator a sanções e penas previstas na Lei de Proteção de Direitos Autorais (nº 9610, de 19/02/98).













