Da ilustração bourbônica à ilustração republicana
Problemas para o estudo da literatura hispano-americana entre os séculos XVIII e XIX
DOI:
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9245Palavras-chave:
Ilustração Hispano-Americana, Discursos da conquista, Teatro republicanoResumo
A passagem do século XVIII ao XIX na América Hispânica recebeu especial atenção da historiografia interessada em pensar a crise do sistema colonial e a emergência dos projetos de emancipação política. Um dos problemas mais amplamente discutidos por esses trabalhos é a importância da circulação de textos da ilustração europeia no contexto das mudanças políticas profundas que deram origem a novos paradigmas culturais e científicos. Nesse sentido, o presente artigo tem por objetivo apresentar e discutir novos estudo da bibliografia teórico-crítica que se ocuparam do tema da Ilustração no entresséculos, revisando os parâmetros das historiografias literárias nacionalistas, ampliando seu escopo para pensar os sentidos diversos que as ideias ilustradas assumiram no período. Em seguida, revisamos duas obras representativas do período: para mostrar a inflexão particular que a ilustração setecentista conferiu aos discursos sobre a conquista da América, analisamos um fragmento do relato de viagem Lazarillo de ciegos caminantes, escrito pelo escritor espanhol Alonsó Carrió de la Vandera, em 1773. Visando reler a inflexão produzida pelas independências e a revisão das ideias ilustradas pela primeira geração republicana, analisamos uma loa escrita por Camilo Henríquez em homenagem ao libertador chileno Bernardo O'Higgins, também revisando o legado colonial para vislumbrar o destino da pátria em construção.
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