Lavoura arcaica
uma obra “deslocada”
DOI:
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9339Palavras-chave:
Raduan Nassar, contemporaneidade, Lavoura arcaica, narrativaResumo
A presente texto busca perceber o modo como Lavoura Arcaica (1975), de Raduan Nassar, figura no âmbito da Literatura Brasileira Contemporânea, sobretudo porque, embora o referido romance tenha sido escrito nos anos 70, nota-se que existe algo que o singulariza e o particulariza dentro dessa produção. Nesse sentido, buscamos perceber a maneira pela qual o romance nassariano efetua uma espécie de ruptura com relação não apenas a sentido, mas também no que diz respeito à estrutura. Lavoura Arcaica possui um arranjo linguístico que se distancia da referencialidade, da objetividade, tão evidente à altura dos anos 70, apresentando, por exemplo, a releitura da parábola do filho pródigo como matriz estruturante e eixo motor de toda a narrativa, além de uma linguagem em que o lirismo se torna, por vezes, preponderante, o que sugere uma relação dialógica não imediatamente com o momento em questão, mas também para com formas literárias tradicionais. É factível, portanto, que uma das razões pelas – dentre outras – a crítica teve relativa dificuldade de “acomodar” o texto de Nassar dentro do período mencionado tenha se originado, precisamente, dessa tensão. Assim, pensaremos tais elementos a partir, precipuamente, das reflexões de Giorgio Agamben, em O que é Contemporâneo(2009) e Signatura Rereum (2019).
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