Transmutações da epifania poética em Adélia Prado
DOI:
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9430Palavras-chave:
Teopoética; Adélia Prado; epifania.Resumo
Um dos traços mais característicos da poesia de Adélia Prado é o de realizar uma síntese entre poesia e cotidiano, mediante o recurso literário da epifania. Usualmente compreendida enquanto expressão do “eu”, a poesia, como recorda Massaud Moisés, é contrastada com a prosa narrativa, que abordaria o reino do “não-eu”, do mundo externo. Tal cisão é superada pela obra de James Joyce, a qual passou a integrar o “não-eu” na expressão lírica, através do conceito de epifania. A epifania literária, inspirada na tradição bíblica, une sujeito e objeto em uma manifestação súbita de significado, onde o ordinário se torna símbolo do extraordinário. James Joyce, em Stephen Hero, secularizou a experiência epifânica, definindo-a como um momento de revelação espiritual desencadeado por eventos triviais. Em sua obra, a epifania ocorre quando um objeto comum se ilumina sob o olhar atento do observador, tornando-se portador de significado profundo. Essa abordagem é retomada que Clarice Lispector, em cujos textos a epifania comparece como recurso literário recorrente, nos quais pequenos eventos cotidianos revelam verdades interiores intensas. Adélia Prado, por sua vez, transmuta essa perspectiva, ao reconduzir a epifania, experimentada no cotidiano feminino, como irrupção subida do místico. O intento deste trabalho, através de um esforço de literatura comparada, é o de evidenciar como a poesia de Adélia realiza tal transformação na noção de epifania, nas quais a poesia emerge como sýmbolon do divino.
Referências
A BÍBLIA de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 1999.
HOHLFELDT, Antônio. A epifania da condição feminina. Cadernos de Literatura Brasileira. São Paulo, n. 9, p. 69-120, jun./dez. 2000.
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