Antígona e a estética da recepção em sala de aula

Gabriela Rocha Rodrigues, Alfeu Sparemberger

Resumo


Este artigo tem como objetivo refletir sobre a importância do estudo de textos clássicos, particularmente a tragédia Antígona, em sala de aula. O trabalho parte dos pressupostos teóricos defendidos por Hans Robert Jauss, precursor da Estética da Recepção. O conceito de horizonte de expectativa, um dos postulados básicos da teoria de jaussureana, é responsável pela reação do leitor à obra, pois se encontra na consciência individual como um saber construído socialmente e de acordo com o código de uma época. Ancorado em tais pressupostos, este artigo analisa a importância do estudo dessa tragédia grega em sala de aula, pois essa forma dramática fornece subsídios valorosos para o professor trabalhar questões profundamente humanas e universais: poder, resistência, desejo, audácia, justiça, amor, destino, entre outras. Antígona expõe o confronto entre dois conceitos de Justiça, dois sistemas de valores. A jovem princesa se rebela contra a lei do Estado e presta honras fúnebres a seu irmão Polinices, alegando que sobre a lei da pólis prevaleceriam leis imemoriais. Assim, o estudo do texto clássico pode auxiliar o aluno a refletir acerca de inúmeros temas, constituir-se como sujeito autônomo e posicionar-se frente às determinações éticas, morais e sociais inerentes a existência humana, tornando-se, de fato, consciente de seu papel enquanto sujeito histórico, visto que se emancipa por meio de uma nova percepção da realidade, por meio, enfim, da criação de novos horizontes de expectativa.

Palavras-chave


Antígona; Estética da Recepção; Educação; Valores humanos.

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ISSN: 2237-8332