Nas galáxias, o mar

Maraíza Labanca

Resumo


Galáxias, de Haroldo de Campos, reunindo páginas intercambiáveis, propõe outra prática de leitura. Sua estrutura em permuta multiplica os percursos (as direções ou os sentidos) de leitura. A partir do abandono dos caminhos habituais de significação, procuro mostrar, neste artigo, como o livro de Campos resiste aos arremates estritamente referenciais e às formas fixas. O texto promove, ainda, a contínua dissolução das imagens. Busco identificar, portanto, à luz das leituras de obras de James Joyce, a dinâmica dos sentidos operada nessa obra. Na linguagem galáctica, identifico, graças a um trato pouco convencional com a linguagem, o mecanismo de justapor diferenças, que suplementa os significados estabelecidos, estremece a língua comum, e também os limites materiais do livro. Faz variar, inclusive, as próprias definições de livro. Tanto a materialidade do livro como o texto verbal estão amplamente relacionados a uma ideia de movimento que impõe uma mobilidade de leitura e um campo amplo de escolhas dentro da multiplicidade da obra. Esse movimento desestabiliza os sentidos habituais da prática de ler.

Palavras-chave


livromar; imagens; leitura.

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ISSN: 2237-8332