Matintaperera: de bruxa medieval e feiticeira amazônica a jovem que gostava de luxar

Autores

Palavras-chave:

Matintaperera, Narrativa Orais, Tradição, Tradução, IFNOPAP.

Resumo

É conhecida na Amazônia uma mulher idosa, de pele escura que se transforma em coruja para amedrontar as crianças e os moradores locais com o seu assobio estridente. Cascudo (2012), em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, ressalta que, na cultura indígena, os feiticeiros e pajés se metamorfoseavam em coruja com o intuito de se transportar de um lugar ao outro para realizar suas vinganças. Contudo, verificou-se a partir das leituras das narrativas da matintaperera, presentes nas coletâneas Santarém conta..., Belém conta..., Abaetetuba conta... e Bragança conta..., recolhidas pelo IFNOPAP (O Imaginário das Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia Paraense), que existem diversas traduções dessa personagem. A matinta, em sua constituição humana, não é representada, unicamente, pela figura de uma mulher-idosa e de pele escura, mas pode ser entendida pela alteridade (mulher-homem), (idosa-jovem), (negra-branca). Outro aspecto relevante observado nas narrativas do IFNOPAP é o da metamorfose da personagem, não apenas em coruja, gavião (aéreos), mas também em porco, cavalo, (terrestres), dentre outros. Dessa forma, este trabalho pautado nos estudos Carvalhal (1993), Larrosa (1996), Valente e Guarischi (2010), Montemezzo e Umbach (2014) visa comparar duas narrativas orais da matintaperera (uma tradicional e outra atual), articulando ao estudo da tradução e da alteridade.

Biografia do Autor

Andressa de Jesus Araújo Ramos, Programa de Pós-graduação em Estudos Antrópicos na Amazônia (PPGEAA/UFPA)

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Estudos Antrópicos na Amazônia (PPGEAA/UFPA), vinculada a linha de pesquisa: Linguagens, Tecnologia e Saberes Culturais. Atua nos seguintes temas: Narrativas Orais, Narrativas de resistência, Memória, Leitura e Tradução Intercultural.

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Publicado

28/10/2020

Como Citar

Ramos, A. de J. A. (2020). Matintaperera: de bruxa medieval e feiticeira amazônica a jovem que gostava de luxar. WEB REVISTA LINGUAGEM, EDUCAÇÃO E MEMÓRIA, 18(18), 04–18. Recuperado de https://periodicosonline.uems.br/index.php/WRLEM/article/view/3350

Edição

Seção

Artigos