A transfiguração dos contos de fadas a partir das ressignificações arquetípicas em As túnicas de urtiga
DOI:
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9479Palavras-chave:
Transfiguração, Representação, Arquétipo, Contos de fadasResumo
O caráter formador da literatura infantil vinculou-se, desde sua origem, a objetivos pedagógicos gerando com isso uma tensão entre o saber sobre o mundo da leitura e o ideal da pedagogia. Foi esta preocupação pedagógica que, silenciou nos textos questões relacionada à sexualidade, ao racismo, à segregação das mulheres e outras mazelas da sociedade e de seus jogos de poder. Através dos anos, os contos de fadas foram se tornando cada vez mais sofisticados, e passaram a falar simultaneamente a todos os níveis da personalidade humana, comunicando de maneira a atingir a mante ingênua da criança tanto quanto de um adulto sofisticado. Objetivamos com este estudo, analisar as transfigurações das personagens femininas investigando as transformações pelas quais passaram nos contos de fadas tendo como ponto de partida o conto As túnicas de Urtiga de Helena Gomes (2013), percebendo ainda, a ressignificação dos arquétipos que corroboraram para tais transfigurações do conto de fadas contemporâneos. A metodologia baseia-se em pesquisas bibliográficas tendo como aporte autores como: Aguiar(2015), Bastos e Nogueira (2015), Cadermatori (2006), Coelho (2020), Jacobi (1995), Jung(2023), Zilberman (2014), dentre outros. O presente trabalho se justifica por explorar, através dos contos de fadas contemporâneos, a ressignificação dos arquétipos que corroboram para a transfiguração do papel das personagens femininas e os contos de fadas contemporâneos no qual o imaginário, o onírico, o fantástico deixam de ser vistos como pura fantasia para serem tratados como portas que se abrem para determinadas verdades humanas.
Referências
BAPTISTA, Ana Maria Haddad. Poéticas da Educação. São Paulo: BT Acadêmica, 2018.
BASTOS, Rodolpho Alexandre Santos Melo; NOGUEIRA Joanna Ribeiro. Estereótipos de gênero em contos de fada: uma abordagem histórico-pedagógica. Dimensões, v. 36, jan.-jun. 2015, p. 12-30.
BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Tradução Arlene Caetano. Rio de janeiro: Paz e terra, 2000.
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo. Fatos e mitos. 4ªed. Tradução de Sérgio Milliet. Difusão europeia do Livro, 1970.
CADERMATORI, Lígia. O que é literatura infantil. São Paulo: Brasiliense, 2006.
CARVALHO, Diógenes Buenos Aires; SOARES, Lívia Maria. Tecendo novos horizontes: questões de gênero nos contos infanto-juvenis A moça tecelã e Além do bastidor, Marisa Colasanti in: Estudo de gênero e literatura para crianças e jovens: um diálogo pertinente. ZINANI Cecil Jeanine; CARVALHO, Diógenes Buenos Aires. (org.) Caxias do Sul: Educs, 2015. P. 121.
CORRÊA, Luciana Frateschi. A Teogonia e a Constituição do Universo físico e espiritual dos Gregos Antigos. Revista Caminhos da História, n. 7,v. 1, 2002.
CORSO, Diana Lichtenstein; Corso, Mário. Fadas no divã: psicanálise nas histórias infantis. Porto Alegre: Artmed, 2006.
ELIADE, Mircea. Aspectos do mito. Lisboa: Edições 70, 1989
FREIRE FILHO, João. Força de expressão: construção, consumo e contestação das representações midiáticas das minorias. Revista Famecos, Porto Alegre, n. 28, dezembro de 2005.
FRANZ, Marie-Louise von. A interpretação dos contos de fada. Tradução Maria Elci Spaccaquerche Barbosa. São Paulo: Paulus, 1990.
GOÉS, Lúcia Pimentel. Introdução à literatura para crianças e jovens. São Paulo: Paulinas, 2010.
GOMES, Helena. A donzela sem mãos e outros contos populares. Rio de Janeiro: Escrita Fina, 2013.
GOULD, Joan, Fiando palha, tecendo ouro: o que os contos de fadas revelam sobre as transformações na vida da mulher. Tradução Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
JABOUILLE, Victor et ali. Do Mythos ao Mito: uma introdução à problemática da Mitologia. Lisboa: Cosmos, 1993.
JACOBI. Jolandi. Complexo, Arquétipo, Símbolo na Psicologia de C. G. Jung. Tradução: Margit Martincic. São Paulo: Cultrix, 1995.
JUNG, Carl Gustav (Org.). O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro:
Nova Fronteira, 2008.
JUNGES, S. H. M. Tiana. Uma princesa às avessas. A representação da personagem feminina no filme de animação “A princesa e o sapo” de Walt Disney. Dissertação (Mestrado) – Universidade Católica de Pelotas, Mestrado em Letras, Pelotas (RS), 2011.
KHÉDE, Sonia Salomão. Personagens da literatura infanto-juvenil. São Paulo: Ática, 1986.
MENDES, Mariza B.T. Em busca dos contos perdidos. O significado das funções femininas nos contos de Perrault. São Paulo: UNESP/ Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2000.
PONDÉ, Glória. A arte de fazer artes: como escrever histórias para crianças e adolescentes. São Paulo. SESI- SP editora. 1985.
PROPP, Vladimir. Morfologia do Conto Maravilhoso. 2.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.
RIBEIRO, Edilene. Fragilidade e força: personagens femininas em Charles Perrault e no mito da donzela guerreira. Tese (Doutorado)- Universidade de Brasília, 2004.
TODOROV, Tzvetan. Introdução à Literatura Fantástica. São Paulo: Perspectivas, 1975.
ZILBERMAN, Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 REVELL - REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA UEMS

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E EXCLUSIVIDADE E CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS
Declaro que o presente artigo é original e não foi submetido à publicação em qualquer outro periódico nacional ou internacional, quer seja em parte ou na íntegra. Declaro, ainda, que após publicado pela REVELL, ele jamais será submetido a outro periódico. Também tenho ciência que a submissão dos originais à REVELL - Revista de Estudos Literários da UEMS implica transferência dos direitos autorais da publicação digital. A não observância desse compromisso submeterá o infrator a sanções e penas previstas na Lei de Proteção de Direitos Autorais (nº 9610, de 19/02/98).
















