Rosário, Isabel e Leopoldina entre sonhos e deveres (2021), de Margarida Patriota
Ressignificações do passado na literatura híbrida juvenil brasileira – práticas leitoras decoloniais
DOI :
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9318Mots-clés :
Literatura híbrida de história e ficção, Escravização, Decolonialidade, Práticas leitoras decoloniais, Formação do leitor literário decolonialRésumé
Neste artigo, apresentamos uma análise da narrativa híbrida de história e ficção juvenil brasileira Rosário, Isabel e Leopoldina: entre sonhos e deveres (2021), de Margarida Patriota, com enfoque na potencialidade dessa modalidade literária como uma das vias de ressignificação histórica no contexto educacional, visto que ainda vivenciamos uma inquietação no espaço escolar frente às reminiscências do colonialismo. O estudo objetiva demonstrar – a partir do recorte temático da escravização no Brasil, no contexto histórico do Segundo Reinado – como a obra literária juvenil pode fomentar uma prática leitora decolonial no Ensino Fundamental. Para alcançar tal propósito, discutimos os conceitos de “história vista de baixo” (Sharpe, 1992), decolonialidade (Mignolo, 2010) e formação do leitor literário decolonial (Fleck, 2023). Já em relação à descrição das narrativas híbridas de história e ficção, contamos com a base teórica de Fleck (2017) e Santos (2023), entre outros. O estudo, filiado à abordagem qualitativa interpretativista, realizado por meio de pesquisa bibliográfica e análise da obra selecionada, oferece possíveis contribuições ao ensino, visto que a formação leitora decolonial apresenta um caminho viável de fortalecimento das identidades negras, outrora escravizadas, e que são, ainda, subjugadas em muitas ocasiões na atualidade. A narrativa de Patriota (2021) configura-se, portanto, como uma ferramenta importante para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
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