Estella Havisham e Pequena Emily
Mulheres (caídas) na obra de Charles Dickens
DOI :
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9524Mots-clés :
literatura inglesa, Dickens, mulher caída, David Copperfield, Grandes EsperançasRésumé
Este artigo examina as personagens femininas Pequena Emily, de David Copperfield, e Estella Havisham, de Grandes Esperanças, ambas de Charles Dickens, sob a perspectiva da figura da “mulher caída”. No século XIX, esse termo passou a designar mulheres que haviam consumado relações sexuais antes do casamento, sendo, portanto, consideradas socialmente desviantes. Como discutido neste estudo, tal conceito reflete um rótulo imposto à figura feminina, cuja identidade era restringida aos papéis de esposa e “anjo do lar”, limitando seu poder de agenciamento. De tal maneira, analisa-se o papel desempenhado por essas personagens na narrativa e sua relação com o protagonismo masculino. A análise considera a construção literária de Emily e Estella dentro de seus respectivos romances, observando como seu retrato é mediado pelas expectativas sociais e pela parcialidade dos protagonistas. Pequena Emily é apresentada como vítima das convenções morais da época e do desprezo social após seu envolvimento com Steerforth. Estella, por sua vez, é moldada como instrumento de vingança por sua mãe adotiva, Miss Havisham, e encarna a repressão emocional. Ao final da análise, conclui-se que ambas representam diferentes facetas da “mulher caída”: Emily é exilada por sua transgressão social, enquanto Estella, ao desafiar os padrões afetivos e sociais impostos, emerge como uma figura de “queda parcial”, uma “mulher semicaída”.
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