Coletivas:
memória e resistência na literatura latino-americana escrita por mulheres
Mots-clés :
Escrira de mulheres, Feminismos, Gabriela Miravete, Mariana Enriquez, Gioconda BelliRésumé
Em História dos feminismos na América Latina (2022), Dora Barrancos elabora uma cartografia de militância pautada na reinvindicação pelo direito à vida. Mas não por qualquer tipo de vida, pelo direito à vida sem violência, à vida de toda mulheridade. Essa história inspiradora motivou a escrita deste artigo na investigação das “coletivas imaginadas” – movimentos produzidos por escritoras mulheres na ficção deste sul global. Baseadas nas leituras teórico-críticas de Dora Barrancos (2022), Yuderkys Espinosa Miñoso (2020) e Rita Laura Segato (2018), chegamos a três representações de luta e resistência coletivas de mulheres: pela denúncia (o conto “Soñarán en el jardín” de Gabriela Miravete), pela ação (o conto “As coisas que perdemos no fogo” de Mariana Enriquez) e pela mudança (o romance O país das mulheres de Gioconda Belli). Nos dois contos, o ponto de partida para a luta é a memória do feminicídio, sendo a memória um ponto de inflexão para o que se quer preservar e para o que não pode ser mais aceito. No romance, uma utopia realizada por mulheres aponta para mundos alternativos de co-existência, saberes e afetos em conflito. Em conclusão, temos que a escrita de mulheres tem-nos possibilitado a experiência da literatura como conhecimento universal da luta pela vida.
Références
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