O QUE DEUS UNIU, O HOMEM NÃO SEPARE, MAS E QUANDO DOIS HOMENS SE UNEM? A (HOMO)SEXUALIDADE EM ROMA E OS EFEITOS DE SENTIDO (IM)POSSÍVEIS

Heitor Messias Reimão de Melo, Agnaldo Almeida, Ederson Luís Silveira, Leonard Christy Souza Costa

Resumo


O presente trabalho de cunho qualitativo e natureza bibliográfica objetiva
analisar o funcionamento do discurso religioso sobre o casamento homoafetivo,
especificamente a partir da posição-sujeito Papa, autoridade maior da igreja católica.
Tomamos como corpus o discurso do atual pontífice materializado em duas entrevistas,
nas quais é tratada a questão do casamento homoafetivo. Em nossa sociedade, o
matrimônio possui dimensões religiosa e civil. Enquanto um dos rituais religiosos, ele é
frequentemente considerado a partir da união entre dois sujeitos (de sexos opostos) que
buscam, perante a sociedade, oficializar sua relação conjugal, legitimar o
relacionamento sexual e constituir um núcleo familiar. O casamento (civil), por sua vez,
é visto como um contrato social, que garante alguns direitos (jurídicos, econômicos etc.)
aos envolvidos. O discurso religioso (cristão) muitas vezes aparece materializado em
enunciados contrários à união matrimonial entre pessoas do mesmo sexo, por defender
que tal relação fecha o ciclo da vida. Por ser um assunto polêmico, muitas vezes, é
evitado por líderes religiosos, noutras são reiterados, por tais sujeitos, posicionamentos
calcados nos tradicionais escritos da igreja. Desse modo, pretendemos analisar os
efeitos de sentido discursivizados em ambos os textos, atentando-nos para a relação
contraditória entre sentidos institucionais, econômicos e jurídicos que perpassam o
discurso religioso. No diz respeito à fundamentação teórica, este artigo tem por base os
princípios da Análise do Discurso francesa, principalmente os postulados de Michel
Pêcheux (1997) e Eni Orlandi (2001a, 2001b, 2002 e 2010).

Palavras-chave


Análise do discurso. Casamento homoafetivo. Discurso religioso.

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ISSN: 2237-8332