“PEDAGOGAS BODY POSITIVE”: O QUE SE APRENDE SOBRE O CORPO GORDO NO YOUTUBE?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26514/inter.v13i37.4635

Palavras-chave:

Estudos Culturais em Educação, Corpo gordo, movimento body positive, YouTube

Resumo

A internet tem se tornado um espaço não só de comunicação como, também, de aprendizado, pois constitui subjetividades, produz identidades e expõe novos modos de ser e existir no mundo. Além disso, a internet tem proporcionado certa autonomia, possibilitando a expressão de novas reivindicações. Isso faz com que movimentos sociais, como o feminismo, contestem questões relacionadas ao corpo de diferentes maneiras. Como consequência, novos movimentos têm surgido, como o body positive, cujo objetivo é promover a autoaceitação corporal independentemente de tamanho e forma. A partir destas considerações, o presente artigo analisa, a partir do campo teórico dos Estudos Culturais em Educação, quais são as lições sobre amor-próprio e autoaceitação ensinadas em vídeos de ativistas body positive no YouTube. Na pesquisa, foram empregados os conceitos de Pedagogia Cultural (ANDRADE, 2016; CAMOZZATO, 2012; SILVA, 2010), Representação (HALL, 2016) e, como metodologia, utilizou-se a Análise Cultural (MORAES, 2016). Foram identificadas duas lições, ambas ancoradas em discursos oriundos da autoajuda, resultando na produção de representações de corpo gordo como “saudáveis”, “belos” e “normais”.

Biografia do Autor

Kamyla Stanieski Dias, Universidade Luterana do Brasil

Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Luterana do Brasil, na área de Ciências, Currículo e Tecnologia; desenvolveu pesquisa sobre corpo, representação, pedagogias culturais, ciberativismo e Fat Studies. É Licenciada em História pela mesma Universidade. Tem experiência em pesquisa acadêmica em história nas áreas de gênero, educação, em Estudos Culturais nas áreas de corpo e ciberativismo.

Daniela Ripoll, Universidade Luterana do Brasil

É graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998), Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2001) e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005), com Doutorado Sanduíche pela University of Plymouth (2004). Foi Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Luterana do Brasil (2009-2010) e, atualmente, é professora permanente e membro da Comissão Coordenadora do referido Programa. Integrou o Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Luterana do Brasil (2007 a 2011). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Estudos Culturais em Educação, atuando principalmente com Educação; Estudos Culturais; Educação em Ciências e Biologia. 

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Publicado

21/05/2022

Como Citar

Dias, K. S., & Ripoll, D. (2022). “PEDAGOGAS BODY POSITIVE”: O QUE SE APRENDE SOBRE O CORPO GORDO NO YOUTUBE?. INTERFACES DA EDUCAÇÃO, 13(37). https://doi.org/10.26514/inter.v13i37.4635

Edição

Seção

Artigos