A BUROCRACIA NO ENSINO BÁSICO E OS LIMITES QUE IMPÕE AO PROCESSO EDUCACIONAL

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Resumo

Graças a racionalização no ambiente escolar, observamos um aumento da burocracia nas atribuições docentes. Diante disso, este artigo tem por objetivo avaliar como a burocracia está presente, afeta, direciona e modela a ação do professor e os impactos no ensino-aprendizagem. A metodologia está ancorada na sociologia comparativa e compreensiva de Max Weber a partir do olhar de um professor do ensino básico em uma rede municipal. Para apreender a realidade utilizaremos como instrumento de análise metodológica a ferramenta “tipo ideal” e o conceito de burocracia weberiana. Construímos um tipo ideal de professor e comparamos com o observado na escola, para localizar oportunidades que a atividade laboral docente seja voltada à melhora educacional. Dados levantados apontam que a burocracia, representada por um conjunto de tarefas que são realizadas fora da sala de aula, já é responsável pela maioria das tarefas que são exigidas do professor. Considerando a importância de controles burocráticos pelo Estado, concluímos apontando algumas possibilidades de mudança, por exemplo na transferência de parte dessas atividades para outros profissionais e na melhora de sistemas tecnológicos. Observamos um conflito entre visões diferentes do que seria o papel docente, pois enquanto a sociedade o vê como o transmissor dos valores, na escola cabe ao professor mais atividades burocráticas que às dedicadas ao ensino.

 

Palavras-chave: Sociologia da Educação. Max Weber. Burocracia na Educação.

Biografia do Autor

Geovane Ferreira Gomes, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

Possui doutorado em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos, tendo sido bolsista do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) junto à Universidade Federal de São Carlos e University of Chicago. É Mestre em Ciência, Tecnologia e Sociedade - CTS pela Universidade Federal de São Carlos (2010) e possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2006) e em Engenharia Elétrica pelo Centro Universitário da FEI (1987). Tem experiência na área de Sociologia, com ênfase em Sociologia das Organizações, Conflito Organizacional, Sociologia da Tecnologia, Sociologia da Ciência, Educação CTS, Sociologia da Educação. Atualmente é professor adjunto da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), lecionando nos cursos de Ciências Sociais, Direito e Pedagogia na Unidade Universitária de Paranaíba.

Rafael Nunes Rosa, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS).

Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Unidade de Paranaíba. Atualmente pesquiso a Organização do Trabalho Didático. Licenciado em História pela Universidade Estácio de Sá - Campo Grande - MS. Graduado em  Ciências Sociais Licenciatura na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Unidade de Paranaíba.

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Publicado

18/08/2021

Como Citar

Gomes, G. F., & Rosa, R. N. (2021). A BUROCRACIA NO ENSINO BÁSICO E OS LIMITES QUE IMPÕE AO PROCESSO EDUCACIONAL. REVISTA DE CIÊNCIAS SOCIAIS DA UEMS, 1(1), 42–60. Recuperado de https://periodicosonline.uems.br/index.php/rcs/article/view/6138