Formação docente, discurso oficial e precarização subjetiva
uma análise crítica da Resolução CNE/CP n. 4/2024 e do Programa Mais Professores para o Brasil
DOI:
https://doi.org/10.61389/95yztn18Palavras-chave:
Educação básica, Formação docente, Política educacional, Trabalho docente, Precarização subjetivaResumo
Este artigo analisa criticamente políticas públicas recentes de formação docente na educação básica brasileira, tomando como objeto a Resolução CNE/CP n. 4/2024 e o Programa Mais Professores para o Brasil, instituído pelo Decreto n. 12.358/2025. Objetiva-se compreender como esses documentos produzem sentidos sobre formação, valorização, profissionalização e trabalho docente, problematizando sua possível relação com processos de responsabilização individual e precarização subjetiva. A orientação teórica articula materialismo histórico-dialético e Análise Crítica do Discurso, especialmente a partir de Lukács e Fairclough, mobilizando categorias como totalidade, mediação, discurso, intertextualidade, alienação e estranhamento. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, teórico-documental e crítico-analítica centrada na análise dos textos normativos e de suas articulações com o contexto social do trabalho docente. Os resultados indicam que as políticas examinadas apresentam caráter ambivalente: incorporam um vocabulário de valorização, emancipação e equidade, mas também operam por dispositivos de avaliação, seleção, cadastro, formação contínua e regulação no interior das reformas educacionais contemporâneas. Conclui-se que a formação docente constitui um campo estratégico de disputa entre autonomia crítica e adaptação à precarização do trabalho pedagógico nas redes de educação básica.
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