O “outro” tem lugar no currículo?
DOI:
https://doi.org/10.61389/inter.v16i45.8715Palavras-chave:
Conhecimento, Currículo, Pós-estruturalismoResumo
O texto apresenta reflexões decorrentes do desenvolvimento de pesquisas realizadas com professores atuantes na educação básica nas redes estaduais e municipais de ensino do Estado do Rio de Janeiro. A pesquisa foi realizada durante a pandemia de COVID-19. Para organizar o experimento, foram utilizadas conversas online, nas quais foi possível identificar significados realistas de conhecimentos e concepções de currículo próximos daqueles articulados em políticas curriculares que os participantes tendem a chamar de neoliberais e afirmam discordar. Nas conversas online, por meio da Plataforma ZOOM, foram identificados significados de currículo como programa que projeta um determinado futuro no presente com o objetivo de controlar e padronizar vidas com uma determinada finalidade social desejada. As contribuições de aportes pós-estruturais e pós-fundacionais permitem compreender que são significações de currículo, apoiadas em sentidos realistas do conhecimento, compartilhadas por diferentes projetos educacionais modernos, inclusive aqueles reconhecidos como emancipatórios. Com essa compreensão, o objetivo desse texto é desenvolver argumentos para defender que a articulação desses sentidos cria constrangimentos para que o outro, entendido como pura diferença, se concretize como presença nas escolas. Comprometem que a educação se realize como projeto democrático.
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