Trabalhos de amor perdidos, trabalhos de crítica e teoria encontrados
um romance-tese?
DOI:
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9518Palavras-chave:
(meta)ficção teórico-crítica, literatura brasileira contemporânea, Jorge Furtado, William ShakespeareResumo
Este artigo analisa Trabalhos de amor perdidos (2006), romance de Jorge Furtado que parodia a comédia homônima shakespeariana, focalizando a articulação entre discursos ficcional, teórico e crítico, bem como seu potencial didático ao dialogar com William Shakespeare e o conjunto de sua obra. Com base na noção de (meta)ficção teórico-crítica, discute-se como o texto adota recursos próprios da escrita acadêmica – notas de rodapé, bibliografia, reflexões analíticas – em associação com estratégias literárias que propõem uma nova leitura do dramaturgo inglês. Argumenta-se que esse entrelaçamento de discursos teórico-críticos, combinado a um impulso formativo, expande o horizonte da ficção e sugere novos caminhos de letramento literário ao público brasileiro contemporâneo. Desse modo, Trabalhos de amor perdidos evidencia o hibridismo entre criação, teoria e crítica literária, constituindo um “trabalho de amor crítico-teórico-ficcional” que inaugura novas possibilidades de interpretação. Em última instância, conclui-se que, embora não seja uma tese stricto sensu, a obra tensiona as fronteiras tradicionais entre arte e academia, aproximando ficção e reflexão em uma proposta híbrida.
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