Textos-fragmentos
ler, escrever e viver entre línguas de/em Sylvia Molloy
DOI:
https://doi.org/10.61389/revell.v2i40.9496Keywords:
Literatura latino-americana, Literatura argentina, Literatura contemporânea, Sylvia Molloy, InespecificidadeAbstract
Este texto explora o estudo de Viver entre línguas (2018), da escritora argentina Sylvia Molloy, volume da Coleção Nos.Otras, corpus do trabalho vinculado à pesquisa Literatura brasileira e latino-americana: questões de inserção no cenário contemporâneo. Nos.Otras é dedicada a escritoras brasileiras e latino-americanas de diferentes origens, trajetórias e estilos narrativos, e tem se firmado como um lugar da literatura contemporânea latino-americana no Brasil. A metodologia combinou leitura e pesquisa bibliográfica sobre obra e autora. Ler Viver entre línguas nos desconstroi (Derrida, 2001), demanda o aprofundamento da inespecificidade da literatura contemporânea pós-autônoma (Ludmer, 2010; Garramuño, 2014; Azevedo, 2017), na qual as fronteiras entre gêneros se tornam fluidas, mesclando ensaio, anotação, autobiografia, ficção. Este texto ensaia Molloy, o desejo de escrever com(o) ela sobre o autobiográfico, a forma-conteúdo, a anotação como procedimento, língua(s), herança, identidade. São 34 partes que desafiam convenções temporais e criam uma “escrita de si” que oscila entre o íntimo e o político. São textos-fragmentos que montam uma história pessoal, familiar e profissional, das versões professora, crítica literária, filha, neta, irmã, mulher. Molloy discute a hierarquização de línguas e como elas podem se tornar arma de tortura e violência. Viver entre as obras de Molloy é passear por uma escrita que ensaia e romanceia. Ela nos convida a refletir sobre as histórias das nossas línguas, de países latino-americanos onde a disputa por uma língua única ocorreu por meio de apagamentos e/ou destruição de outras línguas, criando uma superioridade de uma sobre a outra, essa outra, a língua de casa.
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