A subsunção real do trabalho docente na era das máquinas-plataformas
DOI:
https://doi.org/10.61389/dxv2j030Palavras-chave:
trabalho, educação, plataformas digitais, subsunção real, mercadorização da educaçãoResumo
Analisa-se a plataformização da educação pública municipal em Florianópolis, Santa Catarina, como expressão contemporânea da maquinaria e da subsunção real do trabalho docente ao capital. A crítica da economia política e a discussão contemporânea sobre o tema referenda a discussão. Tem-se como hipótese que a difusão de plataformas digitais, padronização de matrizes curriculares, materiais didáticos, sistemas digitais de gestão e avaliações externas não representam a inovação tecnológica prometida, constituindo um todo estruturado à reorganização capitalista do trabalho pedagógico, analogamente à função da maquinaria na grande indústria do século XVIII. Metodologicamente, realizou-se triangulação entre revisão teórica, análise documental e entrevistas semiestruturadas com docentes e supervisores de uma unidade escolar da rede. A categoria maquinaria é fundamental para compreender as plataformas digitais, pois, combinada a outros materiais padronizados e avaliações elaboradas fora do contexto individual escolar, aprofunda a subsunção real e a alienação do trabalho docente, transformado em apêndice de processos pedagógicos pré-definidos. Verticaliza-se a expropriação do conhecimento pedagógico com a desintelectualização docente e reiteração da divisão social do trabalho entre pensar e executar. A resistência a esse processo está no trabalho vivo docente, em mediações pedagógicas diferentes do padrão esperado pela máquina-plataforma da escola.
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