Educação conectada e trabalho docente
contradições da digitalização do ensino sob a lógica do capital
DOI:
https://doi.org/10.61389/gprxjm40Keywords:
Educação Básica, Trabalho Docente, Controle, Tecnologia Digital, DigitalizaçãoAbstract
Este artigo analisa criticamente o trabalho docente e o uso das tecnologias digitais na educação básica pública brasileira, sob as dinâmicas sociais, econômicas e globais. O objetivo geral é compreender como plataformas e ambientes virtuais controlam e reconfiguram as formas de trabalho docente. Especificamente, mapeia-se o perfil sociodemográfico dos professores e o uso de recursos digitais (planejamento, comunicação e avaliação); analisam-se percepções sobre os impactos nas condições/tempos de trabalho e demandas extracurriculares e fadiga tecnológica; identificam-se formas de formação pedagógica (predominantemente individual); e avaliam-se contradições entre potencialidades e precarização. A metodologia consiste em questionário online (survey) com 445 (quatrocentos e quarenta e cinco) professores de 27 (vinte e sete) estados, incluindo questões como: "Você utiliza tecnologias no trabalho pedagógico? Recebe treinamento? Enfrenta dificuldades com recursos físicos? Tecnologias interferem na autonomia pedagógica? Recebe notificações fora do horário? Usa redes sociais para compartilhar práticas?". Resultados revelam ampla adoção de tecnologias, mas com intensificação laboral, formação individualizada, responsabilização docente, controle por plataformas e sobreposições de vida profissional-pessoal. Apesar do reconhecimento por parte dos participantes em relação ao uso das tecnologias digitais, os mesmos tecem críticas sobre a falta de autonomia, criatividade e o controle do trabalho pedagógico. Conclui-se que a digitalização gera efeitos contraditórios: expande possibilidades pedagógicas, mas aprofunda o controle do trabalho docente sob lógica capitalista.
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