Austeridade, inteligência artificial e expropriação intelectual dos docentes

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61389/nmtmc271

Palavras-chave:

Austeridade, Inteligência artificial, Educação pública, Soberania popular, Tecnofascismo

Resumo

Este artigo analisa o acoplamento entre os holdings educacionais e as corporações de inteligência artificial (IA) e seus efeitos sobre a educação pública e o trabalho docente. O objetivo é demonstrar que esse acoplamento aprofunda a expropriação do trabalho intelectual dos docentes e do intelecto geral (Marx), erodindo a democracia e a soberania popular sobre a educação. A orientação teórica é marxista e articula a crítica da austeridade como projeto político de classe (Mattei), a categoria de intelecto geral e a psicologia histórico-cultural (Vigotski). Metodologicamente, recorre-se à revisão bibliográfica e à análise documental (relatórios corporativos, dados de bolsas, contratos públicos), com foco no caso brasileiro dos grupos Cogna e Arco e em observações sobre Portugal. Os resultados indicam que a associação entre as corporações de IA (muitas ligadas ao tecnofascismo, forma neofascista de poder) e os holdings educacionais converte-os em empresas asset light, voltadas a sistemas de ensino e plataformas que penetram o núcleo do ensino-aprendizagem e tecnocratizam a gestão escolar, com perda de autonomia e autogoverno das comunidades. Conclui-se que defender a escola pública exige lutar pela soberania popular, conter as corporações que mercantilizam a educação e reafirmar o trabalho docente como trabalho intelectual, base da formação integral.

Biografia do Autor

  • Roberto Leher, Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

    É professor titular da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (1998), desenvolve pesquisa em políticas públicas em Educação. Integra comitês editoriais de vários periódicos. Também é professor colaborador da Escola Nacional Florestan Fernandes/SP e pesquisador do CNPq, Foi reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (julho de 2015 a julho de 2019).

  • Raquel Cardeira Varela, Universidade Nova de Lisboa - ISCTE-IUL

    Raquel Varela é professora auxiliar com Agregação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa (Secção Autónoma em Educação e Formação Geral). É historiadora e investigadora. Presidente do Observatório para as Condições de Vida e Trabalho. Coordenadora do Social Data/Nova Sustainability. Investigadora Integrada do Grupo de Investigação História, Território e Comunidades CEF/UC/Polo FCSH. Investigadora Colaboradora do Centro de Estudos Globais da Universidade Aberta. É honorary fellow do International Institute for Social History (Amsterdam).

  • Roberto della Santa, Instituto Politécnico de Lisboa

    Roberto Della Santa é professor adjunto do Instituto Politécnico de Lisboa (estc.ipl.pt), Investigador Integrado da Universidade Aberta de Portugal (ceg.uab.pt) e Co-Coordenador Científico do Observatório para as Condições de Vida e Trabalho (ocvt.unl.pt). Colabora com a Revista Workers of the World (Universität Duisburg-Essen), foi Visitant d’Investigació na Universitat Autònoma de Barcelona (UAB) e Bolsista Junior do Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales de Buenos Aires (CLACSO). É Mestre (CNPq) e Doutor (CAPES) em Ciências Sociais / Sociologia com Ênfase em Trabalho e Sociedade (UNESP). Co-editou recentemente A People’s History of Portugal: from the Napoleonic Wars to the Era of Austerity (Pluto, London, 2026), Notícias de Lugar Nenhum / William Morris (Letras Lavadas, Ponta Delgada, 2025) e Estudos Globais do Trabalho (Húmus, Porto, 2024).

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Publicado

20-10-2026

Edição

Seção

Educação básica e formação docente: políticas educacionais e as (trans)formações do trabalho docente

Como Citar

Austeridade, inteligência artificial e expropriação intelectual dos docentes. (2026). INTERFACES DA EDUCAÇÃO, 17(49). https://doi.org/10.61389/nmtmc271