O Estatuto Semiótico da surpresa em “A Força do Sangue” de Miguel de Cervantes

Valdenildo dos Santos

Resumo


A surpresa se relaciona com o evento inesperado, em que o sujeito surpreendido é tomado de sobressalto, porque não tem consciência do que vai acontecer, fica atônito, é possuído por um espanto. Seria, pois, a surpresa, uma paixão semiótica? Qual, afinal, o seu estatuto? Neste fazer interpretativo, procura-se descrever, a partir dos deslocamentos espaciais de duas famílias, uma representante da fidalguia e outra da nobreza, a confrontação de duas classes sociais na Espanha do século de ouro, designação do período clássico em que ocorre o apogeu da cultura espanhola, compreendida desde o Renascimento do século XVI até o Barroco do século XVII. As reflexões aqui postas inspiram-se em Algirdas Julien Greimas, Jacques Fontanille, Claude Zilberberg dentre outros, na perspectiva de mostrar os efeitos de sentido passionais da surpresa na obra englobada da coleção novelas exemplares (1613-1614), também conhecidas como de instâncias, de Miguel de Cervantes, segundo alguns críticos, por simples convencionalismo próprio da época, ou por questão de estética, ou ainda porque podem servir de exemplo às gerações vindouras.

 


Palavras-chave


A Força do Sangue; Miguel de Cervantes; Semiótica; Paixões; Surpresa.

Texto completo:

PDF

Referências


Referências Bibliográficas

BARROS, Diana Luz Pessoa de. Teoria Semiótica do Texto. 5 ed. São Paulo: Ática, 2011.

________. Teoria do discurso: fundamentos semióticos. São Paulo. Humanitas, USP, 2001.

CERVANTES, Miguel. Novelas Ejemplares.Edición de Jorge Garcia Lopez. Tradução de Darly Nicolana Scornnaienchi Com licença da Editôra Boa Leitura, São Paulo, detentora do Copyright para a língua portuguêsa. 2ª Edição, 1971 disponível em Digital Source http://groups-beta.google.com/group/digitalsource

FIORIN, José Luiz. As astúcias da enunciação: as categorias de pessoa, espaço e tempo. São Paulo: Ática. 1996.

_______. PAIXÕES, AFETOS, EMOÇÕES E SENTIMENTOS. Cadernos de Semiótica Aplicada Vol. 5.n.2, dezembro de 2007.

FONTANILLE, Jacques & ZILBERBERG, Claude Tensão e significação. Tradução de Ivã Carlos Lopes, Luiz Tatit, Waldir Beividas. São Paulo: Discurso Editorial: Humanitas, FFLCH- USP. 2001.

FONTANILLE, Jacques & GREIMAS; Algirdas Julien. Semiótica das paixões: dos estados de coisas aos estados de alma. São Paulo: Ática. 1993.

FONTANILLE, Jacques. Semiótica do discurso. Tradução de Jean Cristtus Portela. São Paulo: Contexto.2011.

GREIMAS, Algirdas Julien. De la colère. Études de sémantique lexicale. Actes Sémiotiques. Documents, Paris III (27). 1981.

___________MAUPASSANT, A Semiótica do Texto: Exercícios práticos. Trad. Teresinha O. Michels e Carmen L.C.L. Gerlach. Ed.UFSC, Florianópolis, 1993.

GREIMAS, A. J. e COURTÉS, J. Dicionário de semiótica. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013.

TATIT, Luiz. Análise semiótica através das letras. São Paulo: Ateliê Editorial. 2001.

__________. Musicando a Semiótica. Ensaios. São Paulo, Annablume. 1997.

ZILBERBERG, Claude. Eléments de grammaire tensive. Limoges: Pulim. 2006.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2017 REVELL - REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS DA UEMS



ISSN 2179-4456

contador de acesso