Slam das Minas – Bahia: A performance poética de corpos de resistência

Natielly de Jesus Santos

Resumo


Os estudos sobre o corpo na contemporaneidade envolvendo as relações entre corpo-memória, corpo-político, vêm suscitando algumas reflexões acerca da percepção sobre corpos dissidentes no âmbito individual e coletivo. Nesse trabalho é realizado um recorte para gênero e raça, para analisar como as performances poéticas do Slampoetry (SMITH, 1980) na atualidade, caminham na perspectiva de luta e resistência dos corpos de mulheres afrodiaspóricas. Para isto, apresentamos o Slam das Minas-BA e observamos a partir da performance poética “Será que vive?” (2016) da Slammer Carol Cerqueira, discutindo sobre a reconstrução e transformação da corporalidade por meio da memória e das vivências cotidianas. Autoras como Roberta Estrela D’alva, Grada Kilomba, Vilma Piedade, Conceição Evaristo e Leda Maria Martins, são utilizadas como referência para este trabalho. O empoderamento de corpos de mulheres negras cis e trans, a partir do Slam, denunciando o racismo, a homofobia, o machismo, dentre outras opressões na sociedade patriarcal.


Palavras-chave


Slam poetry; Slam das Minas Bahia; Corpo-memória; Mulheres negras; Performance poética.

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