A professora da educação infantil e suas condições de saúde: avaliação do nível de stress de professoras de um Sistema Municipal de Ensino

Visualizações: 727

Autores

  • Maria Lúcia Nejm de Carvalho Pós-doutoranda na Faculdade de Ciências da Unesp Bauru.
  • Fernanda Rossi Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - Unesp, campus Bauru-SP. https://orcid.org/0000-0002-4760-4712

DOI:

https://doi.org/10.26514/inter.v9i27.2771

Palavras-chave:

Educação Infantil, Saúde do professor, Estresse.

Resumo

Objetiva-se analisar a presença de sintomas de stress em professoras da educação infantil de um Sistema Municipal de Ensino de uma cidade do interior de São Paulo, com vistas a identificar as fases do stress e as sintomatologias apresentadas (sintomas: somáticos, psicológicos e ambos) e mapear as fontes geradoras do stress ocupacional. Participaram da pesquisa 42 professoras. Trata-se de estudo descritivo e na coleta de dados utilizou-se um questionário sociodemográfico com questões fechadas referentes à caracterização das participantes e situações relacionadas ao stress ocupacional e o Instrumento de Sintomas de Stress para Adultos (ISSL) para avaliar a presença, o tipo e as fases de sintomas de stress. Os resultados apontaram que 31 professoras apresentaram stress, a maioria na fase de resistência e com prevalência dos sintomas psicológicos. As fontes de stress ocupacional destacadas foram: turmas com muitas crianças, atitudes e comportamentos dessas, atitudes e comportamentos dos pares e dos pais, falta de materiais e de espaço físico, entre outras. Tais resultados evidenciam a necessidade de programas voltados para a saúde do professor.

Biografia do Autor

Maria Lúcia Nejm de Carvalho, Pós-doutoranda na Faculdade de Ciências da Unesp Bauru.

Possui graduação em Formação de Psicólogo e Psicologia pela Universidade do Sagrado Coração (1990) e mestrado em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004). Doutorado em Ciências da Reabilitação no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo-HRAC/USP (2012). Atualmente é pós-doutoranda na Faculdade de Ciências da Unesp Bauru.

Fernanda Rossi, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - Unesp, campus Bauru-SP.

Atualmente é Professora Assistente Doutora do Departamento de Educação da Faculdade de Ciências, Unesp Bauru, atuando nos cursos de Licenciatura em Educação Física e Pedagogia, nas áreas de Didática, Estágio Supervisionado, Corporeidade e Movimento e Educação Infantil. Auta no Programa de Pós-Graduação em Docência para a Educação Básica (mestrado profissional) e no PPG acadêmico Ciências da Motricidade.

Referências

ANDRADE, P.S., CARDOSO, T.A. O prazer e a dor na docência: revisão bibliográfica sobre a Síndrome de Burnout. Saúde e Sociedade. v. 21, n. 1, p. 129-140, 2012.

ASSUNÇÃO, A. A.; OLIVEIRA, D. A. Intensificação do trabalho e saúde dos professores.

Educ. Soc., Campinas, v. 30, n. 107, p. 349-372, maio/ago. 2009.

BAUK, D.A. Stress. Rev Bras Saúde Ocup., v. 13, n. 50, p. 28-36, abr./jun. 1985.

BOA MORTE, S.V.R.; DEPS, V.L. Prevenção e tratamento do estresse e da síndrome de burnout em professores da rede pública de ensino. Revista Científica Interdisciplinar, v. 2, n. 1, p. 62-75, 2015.

BRASIL. MEC. INEP. Censo escolar 2017. Notas estatísticas. Brasília, DF. jan. 2018. p. 16. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/notas_estatisticas/2018/notas_estatisticas_Censo_Escolar_2017.pdf .

CHIZZOTTI, A. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 3.ed. São Paulo: Cortez, 1998.

FRANÇA, A.C.L.; RODRIGUES, A.L. Stress e trabalho: uma abordagem psicossomática. São Paulo: Atlas, 2002.

GASPARINI, S. M.; BARRETO, S. M.; ASSUNÇÃO, A. Á. O professor, as condições de trabalho e os efeitos sobre sua saúde. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 189-199, maio/ago. 2005.

GATTI, B. A. Formação continuada de professores: a questão psicossocial. Cadernos de Pesquisa, n. 119, p. 191-204, jul. 2003.

GOMES, R.M.S., PEREIRA, A.M.S. Estratégias de coping em educadores de infância portugueses. Psicologia Escolar e Educacional, v. 12, n. 2, p. 319-326, dez. 2008.

GONZÁLES REY, F. La investigación cualitativa en las ciencias sociales. In: Gonzáles Rey, F. Epistemologia cualitativa y subjetividad. São Paulo: EDU, 1997. p. 161-244.

IMBERNÓN, F. Formação permanente do professorado: novas tendências. São Paulo: Cortez, 2009.

______. Qualidade do ensino e formação do professorado: uma mudança necessária. São Paulo: Cortez, 2016.

KELLY, A.; CAREY, S. ; McCARTHY, S. ; COYLE, C. Challenging behavior principals¨ experience of stress and percepction of the effects of challenging behavior on staff in special schools in Ireland. European Journal Special Need Education. v. 22, n. 2, p.161-181, 2007.

LAZARUS, R.S.; FOLKMAN, S. Stress, appraisal and coping. New York: Springer, 1984.

LIPP, M.E.N. Stress e suas implicações. Estudos de Psicologia, v. 1, n.3/4. p. 5-19, 1984.

______. Apostila do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL). In: ______. Manual do Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.

______ . Inventário de sintomas de stress para adultos de Lipp. São Paulo. Casa do Psicólogo, 2005.

MARTINS, M.G.T. Sintomas de stress em professores brasileiros. Revista Lusófona de Educação, v. 10, p. 109-128, 2007.

MELEIRO, A.M.A.S. O stress do professor. In: LIPP, M.E.N. O stress do professor. Campinas: Papiros, 2008, p. 11-28.

NEDER, M. Ciclo de Vida no Atendimento Psicológico Hospitalar. Revista de Psicologia Hospitalar, v. 13, n. 1, p. 2-3, 1997.

NÓVOA, A. Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. Revista Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 25, n. 1, p. 11-20, jan.-jun. 1999.

______. Os professores e as histórias da sua vida. In: ______. (Org.). Vidas de professores. Porto: Porto Editora, 2000. p. 11-30.

POCINHO, M.; CAPELO, M.R. Vulnerabilidade ao stress, estratégias de coping e autoeficácia em professores portugueses. Educação e Pesquisa, v. 35, n. 2, p. 351-367, 2009.

REINHOLD, H. H. O sentido da vida: prevenção do stress e burnout em professores. (Tese de doutorado). Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2004.

ROSI, K.R.B.S. O stress do educador infantil: sintomas e fontes. Dissertação (Mestrado em Psicologia), Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande, MS: 2003.

ROSSI, F. Implicações da formação continuada na prática pedagógica do(a) professor(a) no âmbito da cultura corporal do movimento. (Tese de Doutorado em Ciências da Motricidade) – IB, UNESP Rio Claro, 2013.

______. Sentir, pensar e agir: a ioga na formação docente. In: XIV SEMINÁRIO DE EDUCAÇÃO FÍSICA, São Paulo. Anais... XIV Seminário de Educação Física. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. Suplemento n.11. São Paulo: USP, 2017. v. 31. p. 23, 2017.

SACRISTÁN, J. G. Consciência e acção sobre a prática como libertação profissional dos professores. In: NÓVOA, A. (Org.). Profissão professor. 2. ed. Porto: Porto Editora, 1999. p. 63-92.

SELYE, H. Stress: a tensão da vida. São Paulo: IBRASA, 1959.

SILVEIRA, K.A.; ENUMO, S.R.F.; PAULA, K. M. P. Estresse e enfrentamento em professores: uma análise de literatura. Educação em Revista, v. 30, n. 4, p.15-36, out./dez. 2014.

SOUZA, A. M N. A família é um sistema vivo. In: SOUZA, A. M. N. A família e seu espaço: uma proposta de terapia familiar. Rio de Janeiro: Agir, 1997. p. 61-81.

VASCONCELOS, E.G. A psiconeuroimunologia da AIDS. In: Paiva V.S.F. Em tempos de AIDS. São Paulo: Summus, 1992.

VIANNA, C.P. O sexo e o gênero da docência. Cadernos Pagu, n.17-18, p. 81-103, 2001/2002.

VIEIRA, L.F.; OLIVEIRA, T.G. As condições do trabalho docente na educação infantil no Brasil: alguns resultados de pesquisa (2002-2012). Revista Educação em Questão, v. 46, n. 32, p. 131-154, maio/ago. 2013.

Downloads

Publicado

20-12-2018

Como Citar

Carvalho, M. L. N. de, & Rossi, F. (2018). A professora da educação infantil e suas condições de saúde: avaliação do nível de stress de professoras de um Sistema Municipal de Ensino. INTERFACES DA EDUCAÇÃO, 9(27), 132–156. https://doi.org/10.26514/inter.v9i27.2771