Lugar, tempo, relação pedagógica: a Escola de Aprendizes Artífices na perspectiva da Forma Escolar

Cleber Schaefer Barbaresco, David Antonio Costa

Resumo


Este artigo tem como propósito compreender como a organização e estruturação dos saberes a ensinar aritmética presentes no curso primário das Escolas de Aprendizes Artífices (EAAs) contribui para a proposta do projeto político e pedagógico ao qual essas escolas se associam. Para tanto, iremos utilizar a concepção de forma escolar, apresentada no texto de Vincent, Lahire e Thin (2001), para compreender o projeto político e pedagógico associado às escolas e a categoria conceitual saberes a ensinar, desenvolvido por Hofstetter e Schneuwly (2017), para captar e analisar os saberes a ensinar aritmética que permeiam a relação pedagógica que se institui no curso primário das EAAs. Para tanto, analisamos os decretos e os relatórios ministeriais, no período de 1909 e 1926, emitidos pelo Ministério da Indústria e Comércio. Dentre os resultados, podemos verificar que projeto político e pedagógico associado às EAAs tem por propósito uma dicotômica formação: profissional, fornecendo elemento para a prática de um ofício, e geral, escolarizando e inculcando hábito pelo trabalho. Constatamos que os saberes a ensinar aritmética são escolhidos de forma a contribuir para essa dicotômica formação.


Palavras-chave


História da Educação Matemática. Escola de Aprendizes Artífices. Saberes a ensinar aritmética. Forma escolar.

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DOI: https://doi.org/10.26514/inter.v10i30.4066

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