DIVULGAÇÃO - Simpósio Temático - Escritas Esquecidas e Vidas Excluídas nas Literaturas Interamericanas - ABRALIC 2023

2023-01-05

Prezados Colegas, 

  Temos o prazer de convidá-los ao envio de propostas de comunicação oral em no Simpósio Temático - Escritas Esquecidas e Vidas Excluídas nas Literaturas Interamericanas, que ocorrerá no XVIII Congresso Internacional ABRALIC, a se realizar de forma presencial em Salvador – BA, no período de 10 a 14 de julho de 2023.   Eixo 2: Epistemologias Plurais, Saberes Comuns   Título do Simpósio: Escritas Esquecidas e Vidas Excluídas nas Literaturas Interamericanas  

COORDENADORES:
- Andre Rezende Benatti (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul)
- Livia Reis (Universidade Federal Fluminense)

RESUMO: Ao olhar para a tradição e para a ruptura na América, em Os Filhos do Barro (2013), Octavio Paz reflete sobre os pensamentos de diferentes culturas, em diversas linhas de tempo, para ponderar que apenas na modernidade a mudança foi vista como positiva, todavia, ela sempre aconteceu. O modelo moderno, de Paz, não busca a eternidade, pois esta é uma maneira de negação da mudança, a perfeição moderna seria alcançada por meio da História, na qual a mudança é o que abre as portas para o futuro. Mudar, modernizar torna-se, portanto, necessário. Critica-se a tradição para que assim se avance. Desse modo, a época moderna critica a tradição, contudo, de maneira paradoxal, pois esta mesma época que foi de ruptura, está fadada a tornar-se uma nova tradição. Daí a ambiguidade que perdura na modernidade. Pensar no modelo de criação das Américas é pensar em relações modernas cruzada por trânsitos culturais, contudo, é também, pensar em um processo violento e excludente, que relega ao esquecimento proposital tudo aquilo que não reflete sua própria “tradição”. Todo o processo de "ocidentalização" das Américas foi um procedimento violento, excludente, que apagou de seus registros oficiais tudo e todos os que eram “diferentes”. No ensaio "A escrita e os excluídos", presente em Literatura e Resistência (2002), Alfredo Bosi propõe que para compreendermos as relações estabelecidas entre a Literatura e os sujeitos excluídos ou que estão à margem da sociedade, os negligenciados, precisamos percebê-los a partir de dois prismas distintos, porém relacionados. Primeiramente Bosi se refere aos historiadores da literatura que percebem os excluídos, os marginalizados ou negligenciados como objeto da escrita literária. São estes sujeitos, suas vivências e experiências empíricas que darão base para que os escritores construam suas personagens, seus enredos e as temáticas escolhidas, dando a estes sujeitos, que por determinados motivos foram excluídos, marginalizados ou negligenciados pela sociedade, o protagonismo nos textos literários. Já a segunda relação apontada por Bosi entre o sujeito excluído e a escrita literária aponta para o homem sem letras, o ensaísta versa sobre o excluído enquanto sujeito do processo simbólico. Jacques Rancière em As margens da ficção (2021, p.14), ao introduzir questões acerca da representação da realidade na literatura, afirma que as “margens da ficção acolhem o mundo dos seres e das situações que estavam anteriormente nas suas beiradas: os acontecimentos insignificantes da existência cotidiana ou a brutalidade de um real que não se deixa incluir”. Assim, buscamos identificar a atualidade dos debates acerca das diversas camadas das sociedades das Américas que passam pela problemática da exclusão e da marginalização de determinados sujeitos, que podem ser de gênero, raça, classe, política, cultural, social, etc., provocada pelos mais variados fatores e manifestadas das mais variadas formas. Aventamos as Literaturas americanas como espaços nos quais tais sociedades são permeadas por uma violência visceral, que oprime e exclui diversos sujeitos desde sua criação e que, de tal forma, influem na construção estética destas narrativas. Há uma violência sistemática ocorrendo na literatura produzida na América ao longo de sua história e que perdura até a contemporaneidade. Apesar de ponderarmos que a sociedade representada na obra não é e jamais será a mesma sociedade que existe fora dela, pois, se há um objetivo da literatura, este não é representar a realidade empírica, o que há na obra literária é a e sim a construção um novo mundo, capaz de refletir parcial e opacamente a sociedade externa, porém seguindo seus próprios padrões e estruturas narrativas. E é desta sociedade, que desempenha algum papel na estrutura textual, que nos ateremos ao analisar as literaturas nas Américas e como esta literatura internaliza e elege como estética a representação de sujeitos excluídos pertencentes à sociedade externa ao objeto literário. Em suma, o simpósio busca acolher diversas abordagens crítico-literárias, histórico-sociais e culturais que entendem as relações literárias interamericanas como um processo edificado por sujeitos que foram esquecidos e/ou excluídos dos registros “oficiais”. Propomos uma estudo leitura dos imaginários literários acerca da, desde e sobre a América como diversidade. São contemplados os debates que desde as produções literárias e culturais interamericanas apontem para: o alcance e as complexidades do que se chama “literatura interamericana” e/ou Interamericanismo; os discursos em torno dos e/ou sobre os excluídos interamericanos e da América; as problematizações e/ou (re)afirmações de elementos nacionais e identitários; as relações sujeito, identidade e construção da memória; as proposições transnacionais e (des)identitárias, fronteiriças e/ou em trânsito; as estéticas (como as realistas) em uso em produções relacionadas ao tema. Referências BOSI, Alfredo. A escrita e os excluídos. In.: BOSI, Alfredo. Literatura e resistência. São Paulo: Cia. Das Letras, 2002. RANCIÈRE, Jacques. As margens da ficção. Tradução de Fernando Scheibe. São Paulo: Editora 34, 2021. PAZ, Octavio. Os filhos do barro. Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht. São Paulo: Cosac & Naify, 2013.

PALAVRAS-CHAVE: Esquecidos; Excluídos ; Literatura e exclusão; Relações Literárias Interamericanas.

 

Link para inscrição: https://abralic.org.br/inscricao/comunicacao/

 

 

Abraços!   Andre e Livia